domingo, 6 de abril de 2008

Insónias


A dor trilha um qualquer caminho dentro desta alma infame que ama demais. E eu aproximo-me da janela e olho a noite. Quem me dera que o meu coração tivesse esta calma tardia que restou no final de tudo. Porque a noite é o que resta de um dia que já foi e já não é... e a dor é a noite que me resta após o fim de tudo o que foram os meus dias.
O sofrimento entranha-se nos meus sonhos e não me deixa dormir! É uma eterna insónia na qual apenas a memória de um amor entra pela porta e vem de mansinho abraçar-me.
E eu estou profundamente sozinha olhando a noite nesta insónia em que não dormir é o que menos custa.
Quantos fantasmas existem para lá desta janela? Onde estás tu, meu amor?
Eu não sei! Não sei se esta dor que caminha pela minha alma e me invade os sonhos algum dia irá embora, deixando-me finalmente entregue ao vazio.
Eu não sei... mas já não importa!

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

quarta-feira, 19 de março de 2008

Silêncio


As palavras são feitas de silêncio, Leonor...
Eu, por exemplo, queria falar e todas as minhas mudas palavras se calam num olhar ou num gesto mais dorido, construído na mágoa do silêncio.
E depois, quando sem razão ele é quebrado por outra voz, eu minto e digo que não há palavras por proferir.
A vida é assim, meu amor, fica tanto por dizer... Ás vezes calamos a voz dos nossos próprios sentimentos e pensamos que existe sempre o amanhã para dizer o que não conseguimos dizer hoje. Mas o amanhã é feito de silêncio... porque amanhã nenhuma das palavras que hoje tinhamos para dizer fará sentido.
Sabes, Leonor?... é estranho amar alguém no silêncio de palavras que foram proibidas pelo tempo e pelas pessoas que o tempo tratou de pôr na nossa sina.
A palavra mais difícil de dizer é “amo-te”... sabias? Normalmente, em vez de falar de amor, fechamos os olhos e damos tudo o que somos. Porque é mais fácil envolver dois corpos no silêncio do que envolver a alma na promessa que fica em cada palavra proferida.
Eu já nem tenho medo da solidão dos meus silêncios. Trato as memórias trocistas como se fossem amigas de longa data e o vazio que ficou como a imensidão de tudo o que um dia tive.
As minhas palavras são silêncio, meu anjo, e quanto mais falo mais percebo que há um mundo de coisas por dizer. Porque tudo o que é realmente importante fica sempre para dizer amanhã e o amanhã nunca mais chega.

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

domingo, 2 de março de 2008

Quem eu era...



Quem eu era, já há muito tempo que deixou de importar. Hoje já não sou quem fui. Num ano envelheci séculos. Já não me conheço.
Tenho saudade do tempo em que me cansava das pessoas como se fossem coisas, saudade da vontade que me preenchia: a vontade de conhecer o mundo nem que tivesse de deixar para trás tudo o que tinha. Eu queria ir longe, sonhava com o futuro, tinha planos e a possibilidade de tornar tudo real.
Quem eu era, morreu nos olhos de alguém, da primeira vez que os nossos olhares se encontraram... desejei que todos os sonhos começassem e acabassem ali, deitei fora tudo aquilo em que acreditava e fiz de mim mesma o caminho para a destruição de todos os planos.
Antes, queria amar mas não entregava o coração e estava sempre mais preparada para dizer “adeus” do que “amo-te”.
Antes, eu era capaz de seguir e as lágrimas que derramava eram doces e, como tal, bebia-as sem me importar. Sofria de um modo simples, que era sofrendo e sorrindo, acordando aos poucos para uma realidade mais bonita e melhor. Encarava todos os fins como portas a abrirem-se para algo infinitamente mais belo e não tinha medo de seguir pelos trilhos que me podiam levar até realidades sonhadas.
Era tão mais simples a minha vida quando eu falava de amor sem saber o que isso queria dizer. Era tão mais simples abrir os olhos e ver um mundo que nunca tinha sido bom para que o pudesse julgar mau!
Hoje sou uma rapariga tola, sem metas e com o coração partido. Já não quero o mundo, quero um momento de felicidade com uma pessoa. Já não me canso de toda a gente, há alguém com quem partilharia tudo na vida. Já não é mais fácil dizer “adeus” do que “amo-te”... já não é fácil dizer “adeus”...
Tenho saudades de desejar algo que pudesse alcançar, saudades de querer algo que me coubesse na palma da mão. Hoje, séculos mais velha, não sou ninguém... afinal, ninguém ama de verdade!

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Desistir (não) é simples!

“Não desistas assim…”
Três palavras que juntas não fazem qualquer sentido. Odeio estas palavras! Dizem-me que não desista, que lute, que procure horizontes que estão para além do que pode ser encontrado. Dizem-me que ali, num lugar que não me sabem indicar, “ali” posso ser um pouco mais feliz.
Desistir devia realmente ser uma opção. Olhávamos para trás e descobríamos que num estalar de dedos tudo o que um dia quisemos foi esquecido ou, pelo menos, já não magoa. Simples, de facto! Demasiado simples para ser real…
Quando se tem sonhos, desistir não é simples! Não é simples acordar para a vida e conhecer um mundo onde cada traço está longe de ser o que quisemos para nós. Não é simples ter olhos cor-de-nada quando um dia o nosso olhar igualou os arcos-íris de sonho.
Quando se ama, desistir não é simples! Não é simples apagar nomes que um dia tatuámos no coração nem varrer palavras que foram ditas em silêncios intemporais. Não é simples coser um coração partido com linhas de esquecimento ou de traição.
Por vezes, admito, quero desistir de tudo. Mas desistir é tão difícil que as palavras que lançam ao vento não podem ter sentido. Quem sou eu para desistir dos sonhos ou do amor ou mesmo de sonhar com o amor?! Não sou nada além de joguete nas mãos da lua e desistir não é hipótese.
Os meus olhos nunca serão cor-de-nada porque eu não sou capaz de desistir assim. Por mais que diga ou que faça, haverá sempre em mim uma restea de esperança que me há-de prender à vida.
Desistir não é simples quando há em nós um coração. Desistir não é simples quando se sonha. Desistir não é simples quando se ama alguém mais que tudo nesta vida. E, se desistir não é simples, tal como não é simples lutar, porque é que alguém optaria pela desistência se a luta, embora complicada, tem mais hipóteses de tornar real tudo o que alguma vez sonhámos?
Não, eu não desisto! Não desisto de lutar pelos sorrisos que, de tempo a tempo, me marcam a expressão. Não desisto de lutar pelos sonhos que têm hipótese de ser reais. Não desisto de lutar pelo amor…
Desistir, ao contrário do que me fazem crer quando dizem para eu “não desistir assim”, não é fácil, não é simples, nem tão pouco é opção!

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Dois anos mais tarde...


31 de Janeiro de 06, postei:
Se o meu sorriso mostrasse o fundo da minha alma, muitas pessoas ao verem-me sorrir, chorariam comigo.

Se naquele tempo eu soubesse como ficaria o fundo da minha alma… teria sorrido de verdade, sem me julgar triste. Agora sim, o meu sorriso corrompe as verdades do meu rosto. Agora sim, a tristeza é tudo o que se avizinha.
Mas este texto não o vou dedicar a essa tristeza infernal que se apoderou de cada milímetro do meu corpo, que me roubou cada pensamento e afastou de mim cada pessoa.
Hoje, dois anos depois, estou aqui para falar de ti…

Vejo-te como um amigo muito querido que entrou na minha vida porque eu quis, quando eu quis. És a caixinha dos meus segredos, quem recebe as minhas palavras como presentes, sempre que me proponho a partilhá-las.
És tu que dás ao mundo a possibilidade de saber que existo. És quem não me condena. És quem me ouve sempre e quem, mesmo quando não me sinto capaz de divulgar o que sinto, guarda em rascunhos os meus piores pensamentos.
Desde que existes na minha vida, mudaste de aspecto, mudaste de nome, mudaste de ideias. Recebeste os melhores comentários, as piores criticas, alguns pensamentos e insultos idiotas que também fazem parte.
A questão é que, com o tempo, deixei de pensar em ti como algo que eu tinha feito e comecei a pensar-te como pedaço do meu mundo.
Confiei-te mais do que alguém pode perceber ao ler-te. Pus a minha alma guardada em cada texto, não direi o coração! Esse dei-o a alguém mais real…
Hoje, é o teu aniversário! Hoje fazes dois anos e hoje és muito mais maduro porque cresceste comigo.
Hoje estou aqui, não como pessoa que te escreve ou que te criou mas como a apaixonada que olha para o diário como o amigo mais querido que alguma vez teve. E estou aqui para te dizer que és o quartinho dos fundos, onde me escondo quando sinto que não tenho onde ir.
E agradeço-te por tudo. Afinal, quem não pode ver o fundo da minha alma nos meus sorrisos, pode sempre procurá-lo em cada palavra que te entrego… e assim chorar comigo!

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

domingo, 13 de janeiro de 2008

Não sei


Os meus olhos têm o brilho das estrelas quando penso em ti. Porque tu és a derradeira viagem que quero fazer. Quero viver-te como te sonho…
E quando olho para ti, os meus olhos são espelhos do meu coração e o meu coração é um espectro sem fim onde nasce o arco-íris e se perde a imensidão de tudo o que está para além de nós.
Não sei como pudeste não notar nos meus olhos as palavras que me eram proibidas…
Não sei como pudeste julgar que o meu olhar era somente o olhar de quem não vê.
Era preciso que a morte me tomasse para que o brilho destes olhos se desvanecesse… porque tu estás e quando não estás imagino-te a cada momento, tomo-te a cada respiração apenas para te sentir em mim.
O meu olhar é teu. Amo-te mais que tudo mas, num instante inócuo, compreendo que não me compreendes. Não insisto mais! Não o viste no meu olhar, não o ouviste dos meus lábios, não o verás nas minhas palavras ou nos meus textos.
E eu não te vou viver mas sonhar-te-ei sempre porque, nesta vida, quando tudo o resto acaba, resta a certeza de que, ao menos os sonhos, ninguém nos pode roubar.

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Enleio da derradeira noite...















Adormeci em terrores que não tenho por já não sentir forças para sentir medo do que quer que seja. Os meus olhos cerraram, como se nada desejassem abarcar e os lábios arroxeados proferiram o teu nome…
Adormeci com o sabor da recordação do teu beijo nos meus lábios, com a ilusão de que ao dormir te sonharia…
E o teu nome ecoou na minha mente e fez com que sorrisse pela derradeira vez antes de adormecer… O teu nome rimava com amor e com saudade e, aos meus ouvidos que quase já não podiam ouvir, o teu nome dizia “boa noite”.
Adormeci com a calma das folhas de Primavera que, cedo demais, por vezes, o vento arranca, leva e arrasta até ao rio para seguirem a derradeira viagem.
Adormeci com um sorriso nos lábios, o sorriso que o teu nome sempre cravou no meu rosto e que o teu olhar sempre trouxe à minha alma.
Adormeci preparada para dormir, ter sonhos, pesadelos ou não ver mais nada.
Adormeci sabendo que adormecia contigo nos meus lábios e no meu coração.
Adormeci pela última vez… já não existia medo, já não havia dor, já não importava porque, simplesmente, já não estavas na minha vida.



Marina Ferraz

*Imagem retirada da Internet

domingo, 6 de janeiro de 2008

Acredito em ti...

Dediquei quase todos os meus textos ao amor mas a amizade nada é senão um tipo muito especial de amor… O único amor – disse alguém – que nunca morre.
Por isso este é para ti e tu sabes quem és. Porque és mais do que achas ser.




Por vezes o mundo não compreende. Mas não importa que o mundo não entenda… porque o mundo não passou pelo mesmo que tu, não passou pelo mesmo que eu e há coisas que só podem ser compreendidas quando as vivemos.
Mas tu tens, tal como eu tive um dia, de lutar contra o que tu achas errado, porque achas que há outras soluções, e não de lutar contra o que os outros pensam do que fazes ou deixas de fazer.
Eles não vão viver a tua vida. Eles não vão sofrer as tuas dores. Eles não vão seguir o teu caminho. Eles falam porque não conhecem e porque é muito mais fácil julgar os outros do que pensar nos próprios erros.
Mas hoje eu, que entendo em parte o que estás a passar, estou aqui para te dizer que mesmo quando o chão que pisas parece desabar, existe alguém que não te deixa cair e mesmo quando parece que não há soluções há sempre uma restea de esperança que não te deixa bater no fundo. Porque existem os amigos e existe gente para quem és extremamente especial apenas por seres como és. Não penses que não fazias cá falta porque, estou certa, muita gente sentiria um grande vazio se não estivesses.
És uma miúda fantástica… não te percas na ideia do que os outros podem pensar porque, se vires bem, não há ninguém que te acuse que jamais tenha errado. Podes sempre contar comigo!
Força e toca a lutar para o futuro ser melhor do que o passado. Não é o que fizemos que nos define mas sim a força que temos para fazer melhor do que fizemos antes.

ACREDITO EM TI!

Marina Ferraz

*Imagem retirada da Internet

domingo, 30 de dezembro de 2007

Ensina-me (carta ao amor)


Não me ensinaste a vida, apenas lhe deste algum sentido ao mostrares-me que, em algum lugar, contigo, eu podia ser feliz.
Não me ensinaste a ser feliz, apenas me fizeste sorrir quando estava mal, mostrando que os pequenos milagres estão em todo o lado.
Não me ensinaste a sorrir, apenas me fizeste ver a vida com os olhos mais abertos.
Não me ensinaste a ver, apenas me mostraste que tu, cego e lindo, nos levas mais longe do que qualquer outra coisa no mundo.
Nunca me ensinaste nada! Fui sempre eu a colher lições das tuas palavras, a retirar palavras dos teus gestos, a dar de mim como nunca antes tinha feito.
Mas hoje, na ilusão das horas, gostava que me tivesses ensinado tudo: a vida, a felicidade, o sorriso, o olhar... porque, quem sabe, se tivesses sido tu a ensinar-me tudo isto, talvez conseguisses ensinar-me a única lição que jamais aprendi...
Amor… ensina-me a esquecer-te!

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

As manhãs de Dezembro


Em Dezembro amanhece lentamente. O sol nasce devagar por entre os arranha-céus, não tem pressa de chegar, não tem compromissos…
A cidade é sempre escura em Dezembro. O chão molhado torna lamacentas as pedras da calçada, rouba-lhes o imaculado branco dos dias de Verão e faz com que a multidão que se reúne nas ruas seja apenas um aglomerado de gente anónima e mal-humorada.
Eu olho pela janela do meu quarto. As pessoas que passam não me vêem, passam apressadas em direcção aos empregos. Têm mil pensamentos na cabeça. Pensamentos que ficam e atormentam ou que passam sem passarem de pedaços fragmentados de ideias pouco importantes.
Em Dezembro a cidade inunda-se das luzes dos faróis e de expressões sisudas. O céu deixa de ser azul. A cidade vive e morre nas manhas de Dezembro.
E eu sou como a cidade. O sol demora a nascer no meu sorriso, a água cai do meu olhar tal como cai a chuva lá fora. Também eu vivo e morro nas manhãs de Dezembro
.

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet