quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Palavras


“Eu amo-te, não só pelo que és, mas pelo que eu sou quando estou ao teu lado.” Roy Croft

Falei. E em todas as palavras que disse, encontrei o mesmo vazio sem sabor. O mesmo desejo incoerente de que a tua voz se cruzasse com a minha ou a de que os teus lábios me silenciassem.
Imaginei, por um segundo, que me envolvias no calor de um abraço e que me sussurravas ao ouvido palavras proibidas pelo tempo e pela vida. E eu sorria. Inocente, incoerente… sorria porque eu saberia, com toda a certeza, que tinhas razão. Dissesses o que dissesses. Terias sempre razão.
Os teus olhos de sol viriam iluminar a minha vida e, a seu tempo, sei que aprenderia a viver longe das trevas. Nas palavras. Na luz. Nas tuas palavras e na tua luz.
Falei. Tinha esperança de que pudéssemos construir um castelo sobre as nuvens e reinar sobre uma imensidão de estrelas rebeldes. Ou talvez pudéssemos simplesmente deitar-nos acima do nevoeiro e olhar para o céu estrelado como se fosse a maior maravilha do mundo.
Palavras. Palavras que não ouviste. Mas o que importa? Descobri que amo cada traço teu, mesmo quando não ouves os meus desejos. Há uma beleza inexplicável no teu rosto de marfim quando estás comigo e o teu pensamento não está. Imagino que também estás a sonhar. A sonhar, talvez, com todas as palavras que me disseste e com todas as que me dirás um dia, se o mundo não nos separar para sempre.
Falei. E a resposta que ecoou pelo céu dos meus desejos foi somente o silêncio. Mas, ainda assim, os meus lábios curvaram-se num sorriso ténue. Amo tudo em ti. Até a pessoa que me fazes ser. Esta pessoa que ama a tua presença e se satisfaz com as estrelas. Esta pessoa que, para estar bem, só precisa de saber que existes. Esta pessoa que sabe que um dia não vais estar mas que acredita que, contigo, poderia ser muito mais feliz.

Marina Ferraz
*imagem retirada da Internet

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