quinta-feira, 3 de julho de 2008

Abrir asas...

Abri as minhas asas e percebi que estou proibida de voar.
Não sei quem me impede. Sei apenas que o céu, lindo e distante, já não é azul. Anoiteceu. Anoiteceu para sempre.
Abri as minhas asas e construí toda a minha vida sobre as mais belas palavras ainda que tais palavras não fossem mais do que o reflexo de uma alma macerada.
Abri as minhas asas porque me fizeram acreditar que, ao abri-las, poderia voar e, se voasse, poderia chegar até àquele local onde toda a dor desaparece por entre os sonhos.
Abri as minhas asas... abri-as e dei-me ao mundo. Deixei que ele provasse o meu sangue e as minhas lágrimas. Dei-me ao mundo e o meu mundo eras tu.
Sei que abri as minhas asas. Sou tudo o que sei ser. Não sei ser mais do que eu mesma, não sei ser melhor. Isto é o que sou... sem disfarces, sem adornos. Não é o mais belo dos quadros este que me mostra de asas abertas mas de coração quebrado...
Hoje sei que não posso voar. Mas abri as minhas asas...
Abri as minhas asas e não estás aqui!

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

1 comentário:

Silvéria disse...

Nunca deixes que algo ou alguém te impeça de bater asas e voar!