quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Sentimento


As noites são todas iguais. Até para mim. Até para mim que, um dia, reconheci que cada noite era única. As noites são todas iguais.
São todas escuras e vazias. E não têm estrelas. Não têm luzes de Natal. São o espaço entre o nada de hoje e o nada ainda maior de amanhã.
E todas as noites eu penso em ti antes de dormir e profiro uma prece muda. Uma prece muda que chora como se o abismo estivesse à espera, assim que os meus olhos se fechassem.
As noites são todas iguais. Acabo sempre à procura da morte nas sombras dos meus sonhos. E acordo para o dia desejando a noite seguinte. Uma noite que será como todas as outras e na qual procurarei a saída da escuridão que não passa ao amanhecer.
As noites são todas iguais. Tenho medo da noite. Medo de dormir, medo de imaginar que te tenho nos braços, medo de acordar e voltar aos dias. Aos dias que são dor, cansaço e solidão. Aos dias que são noites de luz sem sentido. Aos dias que também são todos iguais desde que foste embora.

Marina Ferraz

2 comentários:

Lu disse...

Concordo com tudo! Tens uma forma suave e predisposta de transmitir o medo á realidade que todos temos quando esta já não nos sorri!

Anónimo disse...

Lindo texto. ;( é bem assim. Desde que ele foi embora.
L.P