terça-feira, 18 de maio de 2010

Lágrimas de Pedra III

Aninhei-me nos teus braços. Nos braços da nossa solidão. Mesmo sem palavras, havia tons de despedida em nós. Ir embora faz parte das minhas asas abertas. Das asas que me pediste que abrisse. Ainda assim, às vezes, para viver, preciso desta sensação de que tu vais estar sempre aqui. Mesmo depois de eu ter partido. Mesmo se eu já não viver.
Estarás aqui eternamente. Sempre com o mesmo orgulho firme e frio. Sempre com as mesmas lágrimas de pedra.
Hoje, aninho-me nos teus braços e busco o conforto. Encosto a cabeça no teu ombro e descubro que és suave. És a beleza. Ainda mais hoje porque te olho com os olhos de quem parte amanhã.
Quero que decores o meu rosto. Todos os seus traços imperfeitos. Toda a sua tristeza.
Amanhã vou-me embora. E tu ficas. Ficas para contar que nos amámos e para ofereceres um sorriso a pessoas de eras vindouras.
Talvez um dia mais alguém veja as tuas lágrimas e compreenda a tua dor. Para já somos tu e eu… deixa-me aconchegar-me em ti, abraçar-te. Pareces-me hoje mais meu. Sinto-me hoje mais tua. Deixa cair em mim as tuas lágrimas de pedra.
Faça-se silêncio para que a dor oculta no meu coração possa cantar para ti, uma vez mais. Faça-se silêncio para ouvires, no bater do meu mortal coração, a eternidade do nosso amor.

Marina Ferraz

Serenata - 7 de Maio 2010


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