quarta-feira, 10 de dezembro de 2014



só.
uma palavra que já é um poema
porque ninguém o ouve

e um banco de jardim que é sepultura,
onde me recosto na morte
sem ninguém se importar.

a solidão tem muitas formas.
hoje, é uma pomba que abre as asas
e recusa um grão de milho.

ontem, era a casa cheia
de sossegos insuportáveis
e sombras no cair do sol.

só.
uma palavra que já é um poema.
não rima mas ecoa, e é feita de silêncio.

Marina Ferraz


*Imagem retirada da Internet

4 comentários:

José Junior disse...

pintor

Anónimo disse...

SÓ?
Ecoou e reflectiu,
eis que aqui estou no banco em frente!
... ... ...
Contemplo o contra luz
que define a silhueta frágil.
Lentamente vai ganhando forma
e revela a imensidão de desejos.
... ... ...
Agora o sol derrama o seu óleo
sobre dois corpos ávidos de partilha
de cor e sinfonia!

Sofia Sampaio disse...

A palavra só, realmente é uma palavra que marca...
ninguém deveria estar só

Alípio Vieira Firmino disse...

"Só" quero estar contigo...
Lindo, duas letras que formam uma palavra e que dá origem a um texto.
Parabéns :-)