quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Governar o mundo


Deviam. Não têm de. Mas deviam. Pelo menos tentar. Ver. Talvez se surpreendessem. Eu acredito que sim!
Um dia, deviam pôr uma mulher a governar o mundo!
Não! Não um homem de saias. Não uma senhora que cresceu a acreditar que só os homens podiam e a aprender a passar mais ou menos despercebida no meio deles, com os seus fatos engomados e conservadores. Não alguém cujo cérebro pensa no masculino. Não alguém cujo coração endureceu nas promessas mais ou menos realistas do enriquecimento pessoal. Uma mulher. Qualquer uma, posto que as mulheres são todas diferentes. Mas uma que o seja, de A a Z. Mulher.
Um dia, deviam pôr uma mulher a governar o mundo!
Essa mulher deveria ser mãe. Não porque eu ache que uma mulher tem de ser mãe. A maternidade não define a feminilidade nem o valor de ninguém. Mas, para governar o mundo, eu acho que a mulher escolhida devia ser mãe. Daquelas que se levantam de noite para garantir que os filhos não estão descobertos e a apanhar frio. Daquelas que se sentam a olhar para os primeiros passos, agarrando-se ao sofá para se impedirem de correr para lhe ir amparar as eventuais quedas. Daquelas que se emocionam quando o filho entra na peça da escola, fazendo um papel menor no qual nem uma fala têm… mas que dizem a toda a gente, mostrando cem fotografias (todas iguais), como ele foi perfeito.
A mulher certa para governar o mundo devia ser este tipo de mãe. Aquela que não tem amas para cuidar dos filhos nos dias de folga e que não tira férias de o ser. Que passa a ferro ou que pede ao marido (ou esposa) que o faça. Que faz o almoço ou manda vir uma piza para não ter trabalho. Que limpa a casa, com um olho nas notícias e outro no ponteiro da balança. Que corre maratonas ou passeia pela avenida com o carrinho. Que ouve músicas românticas e adora, ama de paixão, filmes de ficção cientifica, de terror, de romance ou de drama.
Um dia, deviam pôr uma mulher a governar o mundo!
Governar o mundo não é algo que a sociedade tenha preparado os homens para fazer. Infelizmente. Num lugar de dimensões mínimas, como uma casa, a maioria dos homens, se passam dois dias sozinhos, criam um espaço de caos. E se o filho chorar, é um caos com banda sonora. E se a panela verter, é um caos com banda sonora e aroma a queimado. Não é por falta de capacidade… que não faltam aos homens duas mãos, nem um coração, nem inteligência. Mas foram muitos séculos, milénios a dizerem aos homens que o espaço é para ser ocupado.
Às mulheres não. Historicamente, as mulheres não foram conquistadoras. Mas foram os pilares da construção, da manutenção e da paz. Os homens ganhavam a guerra e elas avançavam para as batalhas que seguiam a guerra. De uma forma leve e suave. Nem deram por elas.
E, senhores, é a má notícia: o mundo está descoberto e conquistado! Parabéns! Falta sustê-lo. Falta pegar na casa e fazer dela um lar. Um lar que se chame mundo.
Deviam. Não têm de. Mas deviam. Pelo menos tentar. Ver. Talvez se surpreendessem. Eu acredito que sim! Um dia, deviam pôr uma mulher a governar o mundo!
Uma mulher que o limpasse como foi ensinada a fazer. Que o amasse como faz por instinto. Que o embalasse como a um filho. Uma mulher que não estivesse formatada para pensar que o mundo está assente num cifrão. Uma mulher que não estivesse lá para agradar aos homens mas antes para cumprir o seu papel. Uma mulher que conseguisse olhar para a pequenez das mentalidades como quem olha para um bebé recém-nascido, vendo já os grandes feitos presos nas nuances do seu potencial.
Onde iríamos se tentassem, só por uma vez, pôr uma mulher a governar o mundo?
Provavelmente não vamos saber. Provavelmente, se uma mulher chegar lá, será um homem de saias. Provavelmente.
É que, na falta de mundo para conquistar… os homens conquistam as mulheres. E elas deixam porque amam. Elas nem sabem que podiam governar o mundo.



Marina Ferraz



*Imagem retirada da Internet




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