sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sobre a Vida


A vida é assim: feita de encontros e desencontros. Feita de eternidades efémeras e de efemeridades eternas. Feita de sorrisos e lágrimas e de lágrimas misturadas em risos de fazer doer a barriga.
A vida é assim: simples e difícil. Longa como a alma e curta como a existência. Feita de momentos irrepetíveis e do desejo intenso de repetir momentos que nem existiram ainda.
A vida é assim: de todas as cores e de todas as formas. Feita de medos, de muitos medos, e de ainda mais motivos para vencer o medo e seguir em frente. Feita de todas as estrelas do Universo num olhar e de um olhar maior do que o Universo.
A vida é assim: o nosso maior pesadelo e o nosso sonho mais lindo. A dualidade de tudo o que é bom e de tudo o que é mau, misturado na certeza de que, um dia, tudo vai fazer sentido e tudo vai estar bem. A vida é feita de dias que passam, de dias que chegam, de dias que ficam marcados na memória para sempre. É feita de lembranças agridoces e de cicatrizes brancas e saradas que, apesar de tudo, são ainda visíveis, como um rastro de luar no oceano.
A vida é assim: feita de lutas. Lutas que ganhamos. Lutas que perdemos. Lutas que não travamos por medo de falhar. Lutas que travamos apesar dos medos. E é feita de falhas, de erros, de decepções. É feita das consequências dos nossos actos. É feita do mais fino pó de ouro dos nossos gestos.
E, no fim, as lutas que perdemos e os erros cometidos podem ser as nossas memórias doces de sorrisos. E as nossas vitórias podem ser esquecidas, apagadas, postas de lado.
A vida é isso! Essa constante inconstância de nunca sabermos o que a vida é. Essa certeza incerta de querermos definir o indefinível. De querermos definir a vida.
Eu não sei o que é a vida ou como ela é. Não sei se, olhando para trás, vou dar valor ao melhor, se vou me arrepender de alguma coisa. Eu sei simplesmente o seguinte: nas batidas do meu coração escrevi uma música sobre a vida. Sobre os dias que me marcaram a vida. Sobre as pessoas que amo. Sobre as pessoas que me feriram. Sobre as portas que abri e as que se fecharam mesmo à minha frente. Sobre as respirações aceleradas e o perder de fôlego. Sobre tudo o que eu trabalhei em mim e no Mundo. E é isso que eu sou: esse trabalho vivido que fiz da vida. Essas cicatrizes brancas que venero. Essas lutas perdidas onde aprendi. Essas pessoas que me marcaram. Esses sonhos que segui, mesmo quando o medo me gritava aos ouvidos. É isso que eu sou: esses erros, tantos, dos quais não me consigo arrepender. Essas histórias tristes das quais retiro todos os sorrisos que esboço. Cresci e vivi na vida. E a vida é a vida. Assim ou de outra forma. E, quando morrer, é isso que eu quero ter sido: alguém que errou, alguém que perdeu, alguém que teve milhões de medos... alguém que viveu como se a vida fosse eternamente o melhor e o pior da eternidade de alguns momentos que realmente valeram a pena.

Marina Ferraz

*imagem retirada da Internet

4 comentários:

Tânia disse...

Sigo a tua escrita há já alguns anos, queria dar -te os parabéns pela maravilhosa maneira como colocas os sentimentos em palavras, frases, textos... cada um mais bonito que o outro. Quero felicitar-te pelo teu dom e por seres corajosa ao ponto de o partilhares com tanta gente. Não deixes de escrever nunca, minha querida. Beijinho

Giordano Maçaranduba disse...

Excelente texto!!! Demonstra claramente sua coragem diante da vida!!!

Giordano Maçaranduba disse...

Excelente texto!!! Demonstra claramente sua coragem diante da vida!!!

claumidt disse...

lindissimo texto...como sempre nos emociona... o poeta não medo de expor seus anceios ,suas alegrias e suas tristezas isto so faz enriquecer teu lindo dom poetico,ameiii