sexta-feira, 2 de setembro de 2011

8, 7, 5...


À Noa
Oito tempos, sete notas musicais, cinco posições. A simplicidade de números que podemos contar pelos dedos. A simplicidade de termos um corpo que responde aos números como se eles esquematizassem a vida. Oito tempos, sete notas musicais, cinco posições. Uma simplicidade assente nas dificuldades do mundo. Uma simplicidade que exige esforço e dedicação, que exige privações e treino. Uma simplicidade que não tem nada de simples.
Não são os movimentos marcados que te fazem dançar. Não são as sabrinas de meia-ponta que fazem com que o equilíbrio do teu movimento atraia a atenção de mil olhares. Não são as sete notas musicais que ditam a forma elegante como cada movimento flui. Não são os oito tempos que definem a graciosidade das tuas expressões.
Não te defino numa medida que possa ser contada pelos dedos. Nem em medida nenhuma onde os números te somem a beleza e a graciosidade e a inteligência e os sorrisos. Não uso números para te definir. Não preciso de números para saber que a tua dança é perfeita e maravilhosa. Tanto como tu és.
Não é numerável a forma como pões cada pedacinho de ti em tudo o que fazes. Em cada gesto, em cada movimento. Os teus passos são tão hipnóticos que parece que flutuas sobre o soalho de madeira e nunca o pisas. A forma como ergues os braços lembra um abraço recebido pelo universo.
Não importa se são oito tempos e sete notas musicais em cinco posições de pés. Não importa se a contagem é eternamente instruída pelos que vivem nesse meio. Para mim tu tens todos os tempos e todas as notas e todas as posições. Para mim elas são milhares. Para mim, a tua dança é feita de todos os pormenores que existem. E eles são mais do que oito, sete ou cinco, eles são mais do que as estrelas que há no céu.
A perfeição não tem números. A perfeição não tem movimentos mecânicos. A perfeição é feita de amor. E tu danças assim, nesses rodopios e gestos perfeitos, porque amas dançar. E, quando amas algo assim, essa coisa deixa de fazer parte de um mundo onde estás e passa a ser parte do que és. Oito tempos, sete notas musicais, cinco posições. Mas incontáveis momentos, incontáveis sorrisos, incontáveis palavras de orgulho por entre a tua inexplicável perfeição.
Para mim, meu amor, quando respiras, ainda que estejas sossegada e a dormir profundamente, estás a dançar. E essa dança que mora na tua respiração também te mora nos olhos, nas mãos, nos sorrisos. Mora-te nas lágrimas, nos desejos e nas intenções. Mora em ti e faz com que sejas a bailarina principal de cada momento que vives.
Por isso, desejo que os teus oito tempos, sete notas musicais e cinco posições nunca parem de se tornar incontáveis. Desejo que faças deles o teu infinito e que dances no palco que escolheres. Mesmo que esse palco não seja à frente de uma plateia. Mesmo que esse palco não seja um palco. Mesmo que mais ninguém, além de ti, saiba que, na verdade, estás a dançar a tua vida.
Marina Ferraz
*imagem retirada da Internet

2 comentários:

Sophia Gil disse...

Parabéns Marina!! O texto/dedicatória está simplesmente divinal!! Soubeste descrever na perfeição o sonho de quem gosta de dançar!!

Eu acredito... e espero que muitas mais acreditem, pk Dança é vida!!

Lindooooooooooooooooooooooooo!!!

Anónimo disse...

Lindo parabens :)