terça-feira, 22 de maio de 2012

Quem te levar



Vou baixar os braços. Com uma simplicidade ténue. Com um sorriso no rosto. Não vou lutar mais. Quando alguém te levar. Quando alguém que saiba pôr-te um sorriso de estrela nos olhos te levar. É aí que vou desistir. É então que vou deixar de travar batalhas contra o vento.
Mas quem te levar, que te faça feliz. Que acolha nos braços a tua dor. Que beba dos teus medos. Que abrace as tuas ansiedades. Quem te levar, que permaneça erguido nas tuas insónias. Que ame os teus defeitos. Que traga nos braços a imensidão e ela seja toda para ti. Não vou desistir por menos do que a perfeição.
Quem te levar, que tenha os olhos mais bonitos do mundo, a alma mais pura, o coração mais bondoso, o sorriso mais aberto. Que tenha palavras mais doces, certezas mais firmes, esperanças maiores. Quem te levar, que possa dar-te o que precisas em vez do que queres. Que saiba ver além do teu riso e encontrar as tuas lágrimas. Que saiba ler as entrelinhas das tuas não raras conversas de circunstância.
Vou baixar os braços e assumir a derrota. Desistir e recuar. Deixar que sejas feliz. Mas, quando o fizer, será porque podes ser feliz. Porque alguém te tocou na alma da mesma forma que tu tocaste na minha. Porque alguém te roubou o coração da mesma forma que roubaste o meu. E não pode ser qualquer pessoa. Tem de ser quem te conheça além da superfície. Tem de ser quem te veja além da muralha. Tem de ser quem saiba que, no fundo, também estás quebrado. Tem de ser alguém que tenha mergulhado nos teus sonhos e os apoie. Alguém que te diga que nunca é tarde para seres quem mais queres ser.
Não te iludas com fantasmas. Quem te levar tem de saber de ti o que nem tu sabes. Tem de te mostrar o que fica além das barreiras da tua própria mente. Tem de saber dar-te o mundo de sonhos que fica depois da ciência, a fé que fica além do que pode ser explicado em equações.
Vou baixar os braços e ceder. Reduzir-me à insignificância de não ser e nunca ter sido a pessoa que te arrebatou contra todas as probabilidades. Mas quem te levar, que te leve inteiro. Não vou deixar que vivas às metades por ninguém. És demasiado especial para te reduzires a menos do que és.
Admite. Também queres o amor estupido, as frases lamechas. Também queres um abraço no meio de uma frase inacabada. Também queres alguém que diga que não estar bem não é errado. Quem me dera que o soubesses: não é errado sofrer.
Seja como for: espero que o encontres. Esse amor idiota, esse amor ridículo, esse amor que queima nas veias e que não deixa dormir. Espero que esse amor tenha nome de pessoa. Espero que essa pessoa saiba merecer o teu amor. Espero ter coragem para baixar os braços e desistir.
Essa pessoa que te leve. Que te leve da minha vida. Que te leve dos meus sonhos. E, se te levar, que te dê tudo o que eu te dei e tudo o que nunca pude dar-te, por incapacidade ou simplesmente pela distância. Porque mesmo que o meu coração não sare. E é tão impossível curar as feridas que não se vêem. Mesmo que a minha alma não retorne. Mesmo que a minha vida seja uma morte acordada. Mesmo assim, ainda quero saber que, algures, seja onde for, seja com quem for, tu és feliz.

Marina Ferraz

*Imagem retirada da  Internet

4 comentários:

Anónimo disse...

Texto lindíssimo, com todos aliás. Mas esse encaixou perfeitamente com o meu momento. Parabéns, Marina! Você tem futuro! Sucesso

Iasmin Cruz disse...

Que lindo, tuas palavras são encantadoras.

Vim aqui agradecer teu presença lá na página do blog e ainda não tinha visto que não seguia aqui. Então estou seguindo, obrigada pelo carinho.

http://iasmincruz.blogspot.com.br/

Jessica disse...

Muito lindo,adoro todos os seus textos,você é uma otima escritora.

Anónimo disse...

Olha, amor, quero aqui deixar meu comentário, porque me identifico com cada palavra sua...saiba que nós apenas queremos o que queremos e não o que precisamos, embora por vezes seja concensual... e sim, admito que quero o amor estúpido, as frases lamechas, etc, etc,.Não o tenho...talvez por minha culpa...eu afasto...embora,de facto, não seja a sua natureza...e então redescobri esse sonho, esse amor antigo, e claro, está doendo muito conciliar. Por um lado esse amor exige...pressiona...quer mais e pelo outro dá, apenas o que pode e não lembra a minha fragilidade, meu temor e sofrimento, pois não querendo causar dor, sofro eu, tudo,calada, sem poder decidir...usando meu péssimo humor em casa, por ver-me reduzida a perder esse lindo sonho e ficar só, depois de ter vivido alguma ventura e felicidade...Não vou deixar este amor antigo, não posso, nem quero, faremos uma plataforma, um pacto, algo entre nós...que te dê a felicidade que precisas (e que eu poder) e tu me dês a mim a ternura e o carinho que desejo (e tú possas)senão for possível, partamos para as partilhas, terás de devolver-me a alma...e talvez então eu liberte esse teu coração que em mim vive, eu sei...procuro tratar bem dele, por isso não consigo estar muito tempo longe de vc, quando se parece quebrar um elo desta cadeia, que nos une. Verifico, então que é apenas uma brecha, nada mais e tudo sana a um aceno seu...envio-te depois um largo sorriso...( mas tem que me acenar, please)e tudo se recompõe...mais calmo,mais tranquilo, sem sobressaltos, sem pequenas ou maiores chantagens, mas com toda a ternura e carinho que seu amor e dedicação me merecem...até que tú ou Deus queira.