quarta-feira, 2 de maio de 2012

Apenas isso


Não me dês o mundo ou a vida. Não me dês palavras caras e desassossegos de meia-noite. Não me dês castelos e palácios. Não me dês jantares caros em restaurantes finos, onde os talheres se somam até à beira da mesa. Não me dês viagens. Não me dês joias. Não me dês presentes... Não preciso dessas coisas e não as quero. Para quê? Para quê possuir mundos que não posso governar, casas nas quais não usarei mais do que meia dúzia de divisões, restaurantes em que não provarei mais do que um prato? Não preciso dessas coisas.
Vem aqui. Olha as estrelas. É isto que eu quero. A distância que fica à proximidade de um olhar e que não desaparece nos momentos de escuridão. A beleza que não se apaga. O brilho que não esmorece. Não tentes dar-me mais do que isso. A vida é feita de incertezas. Não me enchas de futilidades. Não me transformes numa coisa que não sou!
Queres dar-me algo? Pois dá... Dá-me um sorriso. Dá-me um beijo. Dá-me a mão no meio da rua, mesmo que haja gente. Dá-me tempo. Dá-me presença. Dá-me um pedaço de ti que possa trazer comigo. Dá-me um fragmento de memória que não possa ser esbatido pelo tempo. Dá-me a esperança vã de que ainda te voltarei a ver e que, quando te vir, ainda terás o olhar mais bonito do mundo.
Mas não. Não me dês promessas que não tencionas cumprir. Não me dês momentos que se transformem em mágoa ao redor de mil silêncios. Não me dês nada que saibas que vais levar contigo ao partir.
Não me dês um ramo. Dá-me uma flor apanhada no meio do nada. Não me faças uma serenata. Sussurra ao meu ouvido as palavras que te cruzam o pensamento, mesmo que elas não te pareçam bonitas. Não me dês protecção. Dá-me a certeza de que estarás lá, se eu não me bastar.
Tudo o que preciso está em ti. Tudo o que preciso está na simplicidade que trazes no rosto e nas mãos e nos bolsos recheados de sorrisos e sonhos para amanhã. Tudo o que preciso está aí.
É a loucura dos tempos. Tu sorris e o meu mundo sorri contigo. Destróis as muralhas em meu redor. Dilaceras os meus exércitos. Condenas-me. E és tudo o que preciso para saber que a vida vale a pena.
Então, não me dês um presente. Dá-me apenas a mão por um momento. Diz qualquer coisa, seja o que for. Sorri e deixa-me sorrir contigo. A vida magoa. E és só tu que me dás força. Então, se puderes, dá-me apenas isso... a mão, um abraço, um sorriso, um beijo, um momento... e se puderes, se conseguires, dá-me um espacinho pequenino na periferia do teu coração. Só um cantinho. Só para eu saber que não me darás a distância que me roubará a vida!

Marina Ferraz

*Imagem retirada da  Internet

10 comentários:

Paolla Milnyczul disse...

Maravilhoso! Escreves muito bem!
"é a loucura dos tempos."
Realmente!!!
Parabéns!

Beijos, Paolla

http://licordeamora.blogspot.com

Paolla Milnyczul disse...

Maravilhoso! Escreves muito bem!
"é a loucura dos tempos."
Realmente!!!
Parabéns!

Beijos, Paolla

http://licordeamora.blogspot.com

Camila (sentindo as Palavras) disse...

Passei aki para deixar um oi... seus textos são lindos.... :)
Sentindo as Palavras agradece suas visitar e seus recadinhos.... :)

Ana disse...

Parabéns, os seus textos são fantabulásticossssssssssssssssss!!!!
Bom fim de semana!

Anónimo disse...

Uau!! O texto está demais!
GOstei muito
Parabéns

L. disse...

Seu texto está maravilhoso, como sempre! Parabéns!

Anónimo disse...

A beleza e demonstrações de amor, estão nas pequenas coisas, na pureza e simplicidade...é algo que se aplica sem dúvida à tua escrita!
Mais um texto que adorei mana.

Um beijo enorme

ass. Bá

Anónimo disse...

encanta-me com o teu sorriso, me dissera, porque sei a força desse sorriso, to darei, sim, e a mão, que eu preciso, também, buscarei o teu sorriso, a pouco e pouco, pé ante pé, subtilmente, me alimentarei das descobertas tuas...para descobrir-te, conhecer-te na tua escrita, nos teus textos bem elaborados, esse manual de ti. bjs

Anónimo disse...

Adoro teu blog,teus textos são lindos,vejo uma parte de mim no que escreves.

Anónimo disse...

Veja este texto.

http://inmyperfectbubble.blogspot.pt/2013/04/da-me-apenas.html