terça-feira, 5 de março de 2013

À tua procura



Eu iria à tua procura. Daqui até ao fim do mundo. Noutros mundos. No inferno. Eu iria à tua procura.
Eu procurar-te-ia nas praias mais inóspitas, nas florestas mais perigosas, nas ilhas desertas dos confins da Terra. Eu procurar-te-ia na mais alta das montanhas, no mais profundo dos oceanos, no mais distante dos continentes.
Sem saber onde estás, eu procuraria Norte e Sul, Este e Oeste. Eu lutaria contra ventos e marés apenas para chegar onde estivesses, fosse onde fosse. E enfrentaria as maiores tempestades, as piores secas, os meus maiores medos. Para te encontrar, eu iria além dos meus próprios limites, além das minhas muitas limitações.
Eu iria à tua procura. Estivesses aqui ou numa galáxia distante. Estivesses aqui ou num universo paralelo ainda por descobrir. Eu venceria as leis da física, as leis dos homens, as leis dos Deuses. Eu venceria tudo para te encontrar.
Eu iria à tua procura. Por entre multidões sem alma nem compreensão. Por entre cidades cinzentas e paraísos naturais. E bateria a cada porta, perguntaria a cada pessoa. E a cada "não" eu ficaria mais próxima, mais perto, porque não iria desistir de ti.
Eu iria mais longe do que o mais longínquo dos lugares. Contra relógios e bússolas e lógicas sem lógica, eu saltaria tempos e distâncias. Passaria em cada rua, em cada caverna, em cada edifício. E, em todos, deixaria a minha marca para que soubesses que não tinha desistido de ti, nem por um segundo.
Eu iria à tua procura. Seria mais persistente do que os ventos, mais forte do que os intempéries que se abatem sobre as terras tristes. E, através de furacões, de ciclones, de terrores sem nome, eu continuaria a procurar-te, sem ter medo de perder a vida nessa busca desleal pelo amor.
Eu iria à tua procura. Não me entendas mal. Atravessaria a eternidade. Morreria de bom grado na crença inabalável de que te havia de encontrar. Mas eu sei onde estás. E congelei na certeza de que estarás sempre aí, escondido na única barreira que não posso trespassar. A barreira da tua vontade. Eu iria à tua procura. Iria até ao fim do mundo. Não há lugar onde não te procurasse. Mas estás aqui. Longe. Ausente. Distante. Eu iria à tua procura. Quem me dera que quisesses ser encontrado.

Marina Ferraz
* Imagem retirada da Internet

6 comentários:

macy disse...

Belissimo...
de tudo quanto já li escrito por ti, este foi o que mais me tocou, talvez porque tenho alguém da minha esfera privada a quem poderia dizer tudo isto...
Obrigada por partilhares
Beijinho
Teresa Carvalho

Tânia disse...

Não estava à espera do "twist" (para mim, foi) do último parágrafo, em que a pessoa procurada, afinal, existe e mantém-se à distância, o que apenas tornou o texto mais triste e impactante. É muito bom acordar todas as terças-feiras sabendo que vou ler um novo texto teu - é algo que já me anima o dia. :) Belíssimo trabalho, esta semana ^^

Jennyfer Aguillar disse...

Perfeito Ma,eu amei ♥
É incrível e muito lindo.
Parabéns.

Maria disse...

Adoro o que escreve com uma linguagem simples -eis mais um texto onde a procura do ser amado é uma constante -obrigada por este momento fascinante poético .
Um X grande MARIA SÁ

Anónimo disse...

profundo amo tudo que escreve .....

Anónimo disse...

Es uma Gurreira...
Vai... vai a proucura do Amor,
e Nunca Dezista...
Mas Nao se Exqessa q ELE um Dia Se ReveLou Na CrUz''