terça-feira, 23 de abril de 2013

Tu, eu e o mar




Senta-te comigo. É fabuloso, não é? O mar. Parece que esteve sempre ali. Vivo. Movimentado. Indo e voltando em ondas e marés. É fabuloso, não é? Ele não se cansa. Eterno e descompassado, embate contra as mesmas rochas há milhares de anos. Luta contra elas, perdendo guerras e vencendo batalhas. Talvez por isso seja salgado. O sal de tantas e tantas lágrimas vertidas nesse confronto eterno com a terra.
Talvez, olhando, não vejas o que eu vejo. Talvez não vejas as cicatrizes do mar, feitas em espuma ou o seu grito no rebentar das ondas. Talvez não entendas a voz rouca com a qual ele brinda o mundo. Mas senta-te comigo e olha-o. Mesmo que não compreendas as formas sombrias com as quais ele conta as histórias do que foi e do que há-de ser.
O mar não se cansa. Não sei como nem porquê. Mas ele não se cansa de ir e de voltar e de lutar por causas perdidas. Procuro e encontro nele lições de vida pois ele sabe ser imortal. E, nas marés do meu pensamento, aprendo que o cansaço é uma forma crua e fria de levar os dias, em ondas de desilusão.
A aprendizagem não é fácil mas está certa. Sei que, se olhares com atenção, vais ver mais do que um infinito de azul e verde. E é por isso que quero que te sentes comigo e olhes o mar. Que respires da calma que ele transmite enquanto guerreia contra as dunas e as paredes escarpadas da montanha. Que recebas no peito a emoção constante dos sons que se seguem e ecoam pela praia deserta das nossas almas.
Senta-te comigo. É fabuloso, não é? O mar. Parece que sabe que vais partir. Parece que sabe que eu vou continuar à espera. Triste. Sozinha. É fabuloso, não é? Ele não se cansou ainda de lutar e eu estou tão cansada! Ele é eterno e eu não quero a eternidade. Não queria sequer a sensação deste amor perpétuo. Cansada. Tão cansada. Mas o mar continua. Contra as rochas e a terra, onda após onda, eternamente. E vai beijando os destroços da guerra, feitos em areia, com uma simplicidade límpida e brilhante.
Aqui sentados... É fabuloso não é? O mar. Ele viu onde começámos. Assistiu ao nosso fim. E continua a lutar, enquanto as minhas lágrimas correm e se juntam a ele, numa luta desleal contra a vontade do destino. Eu sei. Tu levantas-te e vais. Mas eu fico... e o mar também.

Marina Ferraz
* Imagem retirada da Internet

9 comentários:

Tânia disse...

"Tu, eu e o mar"... parece me uma tarde bem passada daqui a uns meses quando o Sol estiver um pouco mas quente... ;) <3

Anónimo disse...

E O DELEITAR DE UM POETA APAIXONADO...EM SUBLIME DELIRIO DE AMOR

Glória Almeida disse...

É fabuloso o Mar... Como são fabulosos os seus textos...:)

Jennyfer Aguillar disse...

Amei,amei.É incrível,eu senti o mar,eu pude vê-lo com os olhos da minha mente e meu coração encheu-se,é lindo poder sentir-me assim.Parabéns querida,mais uma vez um texto incrível e não me canso de ler :D
Beijinhos Jenny ♥

Jessica A. disse...

Maravilhoso, gostei muito. É fabuloso e muito bem escrito, Marina tu és perfeita, amo o teu jeito de escrever. :) <3

Anónimo disse...

P E R F E I T O *o*
a emoção que nos transminte , a sensação de estar sentada ao seu lado .. Muito lindo msm ! :)

Cristina disse...

Adorei.................

Anónimo disse...

Achei os seus textos um pouco adolescentes demais,e mesmo que seja uma pode mudar isso se começar a pesquisar poemas e livros mais clássicos. Lembre-se que toda crítica constrói, pense em minhas palavras. Abraços.

Anónimo disse...

Adorei Marina -tanta identificação ...céus ....Maria