terça-feira, 18 de junho de 2013

Fazes-me falta


Fazes-me falta como o sol. Os meus dias sem ti são cinzentos e frios. E o meu pensamento enevoado teima em deixar sonolenta a felicidade em mim. Suspiro, tento, desisto... e o vento da amargura sopra-me na pele, adensando as nuvens de tristeza e sublinhando a certeza infinita de que, tal como o sol, me fazes falta.
Quando acordo e não estás o dia começa assim: lento e amargurado. O nevoeiro da minha mente tapa-me os arcos-íris de sonho com o negrume de uma bruma densa e triste. E avanço pelas ruas da minha solidão à procura de ti nas memórias dos dias em que o sol brilhava.
Fazes-me falta como o sol. E acordo sem vontade de me levantar da cama nos dias em que não estás. Levanto-me sem vontade de sair. Saio sem vontade de voltar. Não há vontade nos dias em que, como o sol, não estás por perto... Porque não há luz que acorde, nem calor que anime, nem sorriso que surja.
Os meus dias sem o sol são noites acordadas. E não há estrelas. Não há luar. Os meus dias sem sol são chuvas de abismo e tempestades sem vida. São tormentos ventosos de eternidades que se estendem em segundos de saudade e que adensam até me criarem montanhas de solidão no peito. E, em redor, se não estás, apaga-se a vontade das estrelas e do luar. Os abismos pesam e as lágrimas correm. Fazes-me falta como o sol.
Quando não há sol e tu não estás, a minha vida avança em correntes de apatia. Não há nada que me puxe ou que me mova. Não há nada que me faça sorrir. E quando o sol brilha e tu não estás, há uma memória saudosa de ti, inerente ao suspiro calado que deseja que, algures, o sol te beije o rosto e te aqueça os dias. Fazes-me falta como o sol. Faz-me falta a tua presença para dar à minha vida uma sensação amena de alegria, de contentamento, de felicidade. E fico incompleta quando essa luz, que é tua e do sol, não me adentra os olhos negros para os iluminar com nuances de ventura.
Mas é preciso saber: às vezes o sol não brilha. Chove. Faz vento. Faz frio. E lá fora as árvores agitam-se, na inquietude de não haver luz. Às vezes o sol não brilha. Mas, se estiveres, eu não me importo. Talvez me faças mais falta que o sol... porque quando estás, mesmo que lá fora o dia esteja cinzento, iluminas o meu mundo e deixas um calorzinho ténue na minha vida.

Marina Ferraz

4 comentários:

Natalia Cunha disse...

Gostei muito continua assim eu tbm estou a passar por isso o meu e um amor platonico. Vou continuar a ler todos os teus textos

Jennyfer Aguillar disse...

Amei mesmo,o sentimento é tão lindo e descrito com muita perfeição,sabes o quanto adoro ler todos os vossos textos e quero continuar a fazê-lo sempre :D
Parabéns querida,beijinhos Jenny ♥

Eduardo sequeseque catenda disse...

gostei mesmo continua é muito interessante

Eduardo sequeseque catenda disse...

é muito bom gostei muito