terça-feira, 19 de novembro de 2013

Única maneira


É a única maneira de amar. Assim. Completamente. Loucamente. Incondicionalmente. É a única maneira de amar.
Poderia haver outras, é claro. Intermédios entre tudo e nada. Graus de amor. Esquemas e calendários. Mas se escolhermos amar mais ou amar menos. Amar apenas nas horas em que dá jeito. Amar apenas quando é bom. Se escolhermos esse amor que se mede e se converte em mil medidas de insensatez, então escolhemos um não amor. Escolhemos não amar. Escolhemos gastar do uso essa palavra, até a esvaziar de tudo o que lhe dá sentido, deixando-a oca e desbotada pelos lábios que não traduzem a alma. 
É assim! Infinitamente. Tanto que se funde em nós, nos arrebata, nos corre no sangue. Tanto que confiamos os dias, confiamos a alma, confiamos a vida. Tanto que a ideia da ausência seja mais dolorosa do que a ideia da morte. É essa a única maneira de amar.
O amor não nasce para ser simples. Não chega para ser linear. Não nos é posto na mão para ser moldado consoante o que nos aprouver. Ele vem, às vezes de onde não o víamos, às vezes de onde nem existia e complica todo um universo dentro de nós. Não é fácil mas vale a pena. Justamente porque é completo e louco e incondicional. Porque não há outro tipo de amor, além desse que se estende e fica. Porque não há outro amor além desse que é bipolar e ora fere, ora cura, ora magoa, ora acalma...
É a única maneira de amar. Assim. Com os sentidos do corpo que deseja. Com os sentidos do coração que acelera. Com os sentidos da alma que se funde noutra para estar completa. É a única maneira de amar. Aquela em que o amor, mais do que amor, se transforma em vida. Aquela em que nos esquecemos de como seria o mundo, se a pessoa amada não estivesse ali. Aquela em que estamos certos de que, em estando sós, o destino será pior do que o fim perpétuo dos dias.
Seria simples compor a ideia de que há outras formas de amar. Inventar que podemos amar às vezes. Inventar que podemos marcar na agenda o dia e a hora do amor. Que podemos sincronizar os desejos e gastá-los todos num tempinho livre que surge aqui e além. Supor que poderíamos amar mais amanhã do que hoje, mais no mês que vem do que no mês passado. Que podemos oscilar os sentimentos, amar mais quando o amor, mais do que um anseio, se torna uma necessidade.
Mas o amor é fome e paixão e entendimento. É sincronismo, simultaneidade, compreensão. É estar unido e ser uno. É dar e receber, ouvir e falar. É estar completo na partilha e ser-se feliz mesmo quando dói. Amar é não estar só. Porque quem ama tem sempre o amor consigo. É esta a única maneira de amar.
Plenamente. Irracionalmente. Sem definições. Sem normas explicativas. Sem pensamentos mudos. Sem palavras forçadas. Simples como a complexidade do mundo. Só há uma maneira de amar. Apenas uma. Esta. De coração, com toda a força da alma e para sempre.

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

5 comentários:

Tânia disse...

Sem dúvida... :)
Lindo!*

Betinhor JR disse...

Ola bom texto lindo mesmo fala do amor uma palavra que ninguém nesse mundo pode sabe dizer ao certo o que é você falou bem em relação a ele fico feliz também por ter pessoas como eu também escrevo sobre mesmo temas que você continue assim... vamos leva o amor para quem acha que não existe ....

Jennyfer Aguillar disse...

Perfeito.Lindas palavras e um jeito lindo de dizê-las.Amei de verdade.
Parabéns querida,beijinho Jenny ♥

Anónimo disse...

Muito bom,vossas palavras encantam-me de maneira esplendorosa,muitos parabéns.
Paola

Jessica A. disse...

Texto maravilhoso, todas as palavras são belas e o sentimento é o melhor possível, adoro o jeito que escreves, é simplesmente perfeito.
<3