quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A cada minuto



A cada minuto, acontece. É o jogo mais cruel do mundo. O jogo mais injusto. Mas acontece. A cada minuto. Algures. Sem outra razão que não a da ausência de razões. Alguém aposta tudo. Alguém perde tudo. Todos os dias. Milhares de pessoas. O mundo está cheio delas. E não importa o quanto se saiba. Não importam os riscos. As pessoas apostam. As pessoas perdem. As pessoas não aprendem.

É o jogo mais injusto de todos. Joga-se para se perder. Mas com a ilusão. Sempre com a ilusão. Porque um dia, em algum lugar, alguém ganhou. E essa pessoa. Essa pessoa singular que ganhou tudo, tinha apostado como ninguém e não perdeu. Em vez de perder, ganhou o que nunca ninguém ganha. E foi feliz até ao seu último suspiro. É esta a esperança. É esta a ilusão. É este o patamar inferior, a raiz, a fundação que sustenta o acto ponderado de se pôr tudo sobre a mesa, disposto a perder tudo.

A pessoa que ganhou não sabia que ia ganhar e não acreditava que ia perder. Era, por isso mesmo, igual a todas as outras pessoas. Mas o jogo, que não é justo, baseado nos alicerces bambos da sorte, foi-lhe favorável. O mundo não mudou. Nada mudou. Não houve sol que se pusesse mais cedo nem lua que andasse mais alta. Mas, de alguma forma, foi nesse dia que o jogo virou religião. As pessoas afirmam, por aí, no mundo inteiro: "eu acredito no jogo". Não o dizem assim, é claro, dizem de outra forma. Dizem que acreditam no amor.

A cada minuto, acontece. É o jogo mais cruel do mundo. O jogo mais injusto. Há quem perca tudo. Quem enlouqueça. Quem morra. Mas, independentemente do dano, as pessoas continuam a jogar, a apostar, a perder, a jogar de novo, a apostar de novo, a perder de novo. É um vício sem época e que nunca sai de moda. Faz pior do que o tabaco. Fere mais do que droga. Entranha-se mais do que as bebidas ébrias. Mas é socialmente aceite. Fica bem. E toda a gente se envolve nesse jogo do amor. Porque o prémio, constantemente acumulado, é o da felicidade perpétua que toda gente quer ter.

E, neste segundo, a cada segundo, em todos os locais do mundo, é certo: alguém ama alguém. Alguém aposta tudo. E alguém perde. E alguém chora. E alguém recomeça.

É o jogo mais injusto do mundo. Quase ninguém se sagra vencedor nessa saga incompleta de busca pelos improváveis. E, a cada minuto, acontece. Alguém morre do jogo. Alguém morre de amor.

Aposto tudo. No mesmo jogo. Pelas mesmas razões. Acredito nele. Acredito que posso ganhar. Mas não é só pelo prémio. É pela possibilidade. Essa que vivo todos os dias, independentemente do resultado final.

Apostei tudo. É verdade. E ganho todos os dias.

Se um dia perder... ao menos vivi.

Marina Ferraz

*Imagem retirada da Internet


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1 comentário:

Jennyfer Aguillar disse...

Acredito que o jogo de amar é bem perigoso,mas ninguém realmente liga para isso,o que importa é tê-lo,seja como for,por isso há tantos destroços quando não dá certo,e como disse "é aceito socialmente" porque no fundo,só queremos alguém que nos queira de volta.Assim é jogo,talvez nunca mude,mas o importante é tentar, porque de tanto insistir no amor,um dia a gente vence.
Ameii <3
Beijinhos Jenny ^.^