terça-feira, 17 de abril de 2018

Equilíbrio




Talvez seja porque eu acho que o amor só pode existir onde há loucura. E tu julgues que tudo tem peso e medida. Ou talvez seja porque te tentavas encontrar onde eu ainda queria estar perdida. E talvez more nessas pequenas, enormes, gastas ilusões de que o mundo se alinha para dar oportunidades toscas de felicidade.
A minha visão do amor cria uma versão desta história que é só minha, falando de pontos vibrantes, onde os sentidos eram lava e ora queimavam de paixão, ora explodiam de raiva. Eu aprendi a ser na cama, como na vida, tudo ao mesmo tempo. Eu aprendi contigo que há pontos certos que apenas o são entre lençóis. Mas eu não posso ser eu apenas quando os corpos se dão. Também o sou quando o corpo me pertence e o futuro é todo incógnito. E há muralhas ocultas no tanto que eu posso ser, ardendo de paixão por um mundo que abomino.
Não faço sentido. Não sinto que possa – ou deva – fazer sentido. Acredito que também o amor não faz. Sentido. São só sinapses descontroladas. Electricidade pura. Raciocínios pouco eficazes. E uma escolha que se aceita e questiona mil vezes.
Eu não fui. Não sou. Talvez nunca venha a ser. Essa balança onde tudo se pesa e tudo tem medida concreta. O que sou tem nuances. E extremos. E excessos. E faltas. Acima de tudo, faltas. Tantas que não as pudeste aceitar. Tantas que te tornaste uma delas. A maior delas.
Dizes que me amas. E eu digo que te amo. Mas não me amas como eu te amo. Não conheces nem desejas o amor como eu o sinto. Tu e o teu amor são missas de equilíbrio. Fazem adventos e missões de peregrinação na ideia de que tudo tem uma fórmula certa, um tempo definido, um princípio válido.
Eu levo o meu amor de arrasto aonde vou. Caminhe ele a meu lado ou venha de rojo, sangrando. Dele, não espero outra coisa senão a loucura. Sei que ele grita à meia-noite. Que chora com filmes animados. Que se debruça em precipícios. Diz que quer morrer às terças-feiras, depois de ter passado as segundas a ver-se ao espelho, contemplando e amando a luminosidade dos seus reflexos. E pouco se importa com a formulação frásica das ideias ou com todos os seus sinónimos.
O meu amor não se pauta pelo equilíbrio. É uma corda bamba sem estabilidade e que sonha, sabe-se lá porquê, que alguém (se) mantenha uma rede de segurança sob os pés. No meu amor, a queda é inevitável. E a dor também.
Um amor avulso, com peso em escrutínio e um equilíbrio perfeito com a norma será certamente amor. Talvez seja o único amor que me fez amada. Mas não é um amor que eu saiba amar.
Eu sou fruto das árvores da insanidade. Amo com tudo. Apesar de tudo. Além de tudo. E para sempre.
O meu equilíbrio é pouco.
Tropeço nos meus próprios pés e caio quase sempre.

Levanto-me. Continuo.
Mais ou menos ferido, o meu amor também!




*Imagem retirada da Internet


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