quarta-feira, 11 de abril de 2018

Não venhas



Não venhas falar-me de solidão
Tu que caminhas por desertos
E falas em silêncios incertos
Perdendo o olhar n' imensidão.
Tu não sabes nada sobre a solidão!

Eu caminho firmemente nos passeios,
Converso sobre tudo e, de permeio,
Olho bem dentro dos olhos de mil gentes
E sinto essa solidão no peito
Essa solidão que tu, de só, não sentes.

Quem passa por mim deixa um sorriso
E parte sem ficar nada p'ra trás.
Vivo em lágrimas, fingindo o paraíso,
Fingindo que o mundo sabe o que faz.
Fingindo, em solidão, sempre fingindo

E é pior estar na multidão,
Todos ouvem mas ninguém sabe a razão
Que me faz perder o olhar no infinito
E não sabem que peço à imensidão
Um futuro que não esse que está escrito.

Estar só por entre tanta gentia
Em cada passo firme no passeio,
Em cada conversa que se anuncia,
Em cada sorriso falso de permeio
Num mundo que se assume em agonia…

Não venhas falar-me da solidão
Não estás só apenas de estares sozinho
Eu tenho o mundo inteiro na mão
Um futuro à espera, 'inda que vão,
E estou só em cada passo do caminho.

E dói mais caminhar nas vozes frias
Que não sabem que assumi já a derrota.
Perdi a vida entre mãos vazias
Na solidão constante dos meus dias
Tão cheios de gente... e ninguém nota...





*Imagem retirada da Internet



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