segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Alma de Fénix

Encontraste-me e eu já não tinha coração. Um anjo tinha-mo arrancado do peito e, mesmo tendo-o apanhado do chão, caco a caco, a verdade é que quando me encontraste, eu já o tinha oferecido a alguém… para sempre.
Então, fingiste que podia amar-te com a alma. Com a alma que eu já tinha oferecido ao diabo em troca de uma morte que não chegou. Mas entraste nos meus olhos e abraçaste-me a alma inexistente. Abraçaste-a com a força de mil homens e a suavidade de um sussurro.
Caminhei ao teu lado, sempre para descobrir que nenhum medo do mundo me faria cair enquanto ali estivesses. Havia uma mão tua segurando cada passo incerto que dava na direcção do meu inferno terreno.
Chorei lágrimas de sangue. Eram invisíveis mas, de alguma forma, acredito que as viste a jorrar dos meus olhos secos e que me limpaste o rosto, com mais fé em mim do que aquela que eu podia merecer.
Sentaste-te comigo a ver o mar e aprendeste a amar o horizonte. Porque sabias que ele era meu. Sabias que aquela linha impossível de alcançar era tudo o que eu sentia. Tudo o que eu desejava. De alguma forma, não te importaste com os meus sonhos inumanos.
Em vez disso, calaste-te durante horas para ouvires o murmúrio triste do meu peito a sagrar. Ouviste a mesma história vez após vez, como se fosse um conto de fadas e não uma jornada pelas minhas próprias trevas.
Encontraste-me e deste-me a mão. Em algum momento, também entraste no lugar vazio onde era suposto eu ter um coração. E, sim, eu preocupo-me contigo e gosto de ti. Só que tu encontraste-me e eu nunca me encontrei…

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

2 comentários:

Phoenix disse...

O texto é lindo, como sempre...
Não é nada de estranhar: a tua alma cheia de Sentimentos e Sensações; a tua visão das coisas, tão nítida e diferente da dos outros; a tua imaginação sem limites e a tua paixão infindável pela língua portuguesa fazem de ti uma excelente escritora.
Tens muito talento. Espero que este, com o tempo, te traga o reconhecimento que tanto mereces!
A tua escrita torna-se cada vez mais matura.
Quero que não te esqueças de uma coisa: as estrelas não estão assim tão longe de nós; trabalho árduo juntamente com paixão e teimosia pode-nos permitir alcançá-las!
Espero nunca trair a tua confiança!..

aorpheu disse...

Vê lá tu que o amor é assim uma coisa gosmenta e pegajosa que não nos larga... A gente perde o coração, amargam-nos o mel e, mesmo assim, amamos com a alma. O amor encontra sempre uma "nesguinha" para se inflitrar na nossa vida, para nos pintar a casa e nos iluminar os olhos.
Pode renascer chamuscado. Mas renasce. É uma eterna fénix a repetir ciclos de reciclagem.


Tu sabes que o amor é uma fénix a reencarna nas mais loucas formas de ser. Seja a alma, sejam memórias, sejam asas, seja chão...desde que seja!

Abraço