quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Toque da Simplicidade


Às vezes, é muito simples. Um pôr-do-sol. Uma lua cheia. Uma brisa por entre as árvores. O cheiro da relva orvalhada pela manhã. O aroma adocicado da terra nas primeiras chuvas do Outono. Às vezes é muito fácil amar a vida.
Passar a mão no tronco de uma árvore, falar com ela e ouvir-lhe a resposta - às vezes silenciosa, mas sempre repleta de razão. Olhar o Mar, aprender a amar-lhe a calma e a intempestividade. Aprender a amar o Mundo pelo que ele é: tão complexamente simples, tão emotivamente calmo, tão sábio e tão paciente.
É na mistura brusca entre essa Natureza e a minha própria alma que encontro paz. Uma paz que soa a liberdade. Uma liberdade que é impossível de ser acorrentada aos males da vida. E, assim, é na Natureza que encontro a força para viver, a força para acordar todos os dias e continuar a ser como um rio que corre infinitamente rumo ao Mar, aproveitando cada curva do caminho. É assim que, por entre a divindade verde e azul do Universo, encontro um lugar para mim. Entre as árvores. Entre os rios. Entre as estrelas.
Nunca encontrei na Natureza um conselho menos sábio ou uma critica sem razão. Encontrei sempre nela o colo de uma Mãe e a sabedoria de uma Anciã sem idade e com todo o tempo do mundo. Encontrei nela a virgindade doce de Donzela que sonha e que sabe melhor onde começa o real e acaba a fantasia e, ainda assim, acredita em ambas.
Sim, às vezes é muito simples. Tão simples como respirar fundo o aroma dos eucaliptos ou o ar do Mar. Tão simples como descalçar os pés na areia ou mergulhá-los no ribeiro frio que corre, desde uma nascente de vida até à infinidade de todas as coisas.
Não é por acaso que nascemos na condição mortal de nos ser negada uma vida eterna. Nascemos para saborear as pequenas coisas. Para aproveitar os pequenos momentos. Para sorrir quando vemos alguma coisa que nos recorda que somos abençoados diariamente com a presença do que o mundo tem de melhor.
E acredito que é por isso que os homens nascem homens e se tornam homens por entre a Natureza das coisas. Não para a subjugarem, não para a destruírem mas para fazerem parte das maravilhas Dela e, em casos maravilhosos, aprenderem alguma coisa.
Afinal, no fim de tudo, a derradeira prova de que a Natureza é infinitamente mais sábia que o homem é que, enquanto alguns homens vivem de rastos, as árvores aprenderam a morrer de pé.


Marina Ferraz

1 comentário:

Tânia disse...

Temos tanto para aprender com a Natureza, tanto para receber... :)