quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ajusta as Velas


Ajusta as velas, meu amor. Não podemos mudar o vento. Não podemos escolher um horizonte mais próximo. Não podemos ir contra as marés. Mas podemos ajustar as velas. E agradecer ao vento, fazer uma vénia ao horizonte e respeitar o mar que nos carrega nos braços. Podemos sempre fazer alguma coisa para aproximar a vida do que achamos que a vida deve ser.
O segredo estará sempre nas coisas que podemos mudar. Não vale a pena perder tempo com o impossível. Não vale a pena reclamar das coisas que não nos caíram aos pés. Temos de ajustar as velas e de erguer os punhos e de lutar contra os contratempos de cabeça erguida. Temos de saber quem somos e de respeitar o que há de mais real em nós, mesmo quando mais ninguém o vê. Temos de calar o medo, de lhe cantar uma canção de embalar e de o deixar adormecer, para seguirmos tranquilos mesmo por entre as tempestades.
Sim. Não o nego: há-de haver tempestades. Vai chover torrencialmente e as ondas vão atingir picos incontornáveis. Mas nós vamos recolher as velas e rezar baixinho. Metade, acredita em mim, está na fé. Na fé que temos no futuro. Na fé que temos no presente. Na fé que temos de não precisar do passado para navegar pelos mares da nossa vida.
Ajusta as velas e vem aqui. Olha para este céu e para este mar. Para a terra distante que não passa de um contorno. Olha para este mundo. E sorri. Esse sorriso que me ilumina e me aquece, como se pudesse chamar-se sol.
Não podemos mudar a história. Não podemos desenterrar da areia das profundezas os navios que afundaram. Mas podemos fazer isto. Podemos dar as mãos ao destino. Podemos ajustar-lhe levemente as velas, sem que ele se aperceba. E podemos fazer isto sem lágrimas e sem gritos. Podemos fazer isto com carinho e devoção. Podemos fazer isto com maturidade. Podemos fazer isto com a alma de uma criança que ainda não aprendeu a ser cruel.
Não é culpa do vento nem da maré. Não é culpa da tempestade. Se não atingirmos o porto, a culpa é nossa. Por isso, ajusta as velas. Ajusta-as e deixa que o horizonte, lá no fundo, seja o sonho. Deixa que a alma, cá dentro, seja a bússola. Somos os capitães da nossa vida e os senhores da nossa liberdade. Ajusta as velas. Vamos traçar a rota. Podemos ir onde quisermos. Nenhum vento é mais forte do que a vontade de um coração.


Marina Ferraz

* Imagem retirada da Internet

5 comentários:

Paolla Milnyczul disse...

Maravilhoso!!!!!
Parabéns!!! Seguindo seu blog!
Abraços,
Paolla

http://licordeamora.blogspot.com

momentos inesqueciveis disse...

Lindo texto, adorei!!!!
Parabéns adorei o blog!!!!!
Abraços
Momentos Inesquecíveis
http://www.facebook.com/lizafaria

Mariana disse...

Lindão...adorei!

José Raposo disse...

Mais um belo texto que merece ser comentado. Parabéns. É para continuar!

Anónimo disse...

Incrível texto! PARABÉNS :D