terça-feira, 24 de julho de 2012

Gaveta de sonhos



Não. Não é pelas coisas que eu quero. Não acalentas as minhas esperanças e não constróis os meus sonhos. Na verdade, por vezes, és o primeiro a destruir tudo aquilo que eu teria desejado para mim. Mas está tudo bem. Nunca fui tão feliz.
Aprendi a ser feliz contigo. Com os teus olhos tristes, atirados para trás da máscara eterna do riso e da alegria. Aprendi a ser feliz com o teu toque dançado, que fazia valsas pela minha pele e me tartamudeava melodias mudas aos ouvidos. Aprendi a amar no desapego do inevitável.
Não foi nem nunca há-de ser pelas coisas que eu quero. Eu quero o que fica além do horizonte. Quero ter a altura das estrelas, a profundidade dos oceanos, a luz do sol. Não podes. Ninguém poderia, ainda que tentasse, dar-me tudo aquilo que eu quero. Eu quero depender de mim. Eu quero a liberdade. Eu quero a independência da fuga e a constância de não haver rotina.
Paris. Cairo. Edimburgo. Londres. Toulouse. Salem. Minas Gerais. Eu quero conhecer o Mundo. Quero conhecer as pessoas do Mundo. Quero escrever. Quero ter asas nas mãos fechadas ao redor de uma caneta. Quero conhecer a imensidão de um amor maior do que o tempo. Quero ver tudo. Sentir tudo. Saber tudo. Por isso não... não é pelas coisas que eu quero. É pelo nada...
O nada é assim: feito de tudo o que eu nunca quis. Feito de coisas pelas quais não teria dado um passo. Criado no negrume de coisas que podiam ser-me indiferentes ou das quais, simplesmente, teria dito não gostar. E tu acalentas esse nada. Contigo, não preciso de conhecer o Mundo. Contigo, não preciso de conhecer as pessoas do Mundo. Contigo, não preciso de fazer da caneta a minha amiga de todas as horas nem de desejar viver um romance de cinema. Contigo, o sonho sonhado morre. Contigo, a vida começa a virar um sonho.
Não. Não é pelas coisas que quero. Qualquer um podia entrar na gaveta dos meus sonhos de criança e brindar-me com mil promessas de perfeição. Mas tu entendes a simplicidade dos espaços brancos da gaveta. E ensinas-me a ver, nesses espaços, as pessoas e os mundos que ficam perto de mim. E, quando me apercebo, não quero ser livre. Quero ser prisioneira dos teus braços, depender de ti, precisar da tua protecção. Quando me apercebo, quero a rotina. Uma rotina de dias que comecem nos teus braços e acabem nos teus braços, venha o que vier pelo meio.
Não. Não é pelas coisas que eu quero. É porque és o único que me faz querer coisas que eu não sabia que queria. É porque és o único que me faz desejar ficar em vez de fugir. É porque me mostras que o sonho e a realidade se podem unir num momento maravilhoso chamado vida.
Por isso, entende, és tu. Não pelas coisas que sonhei ou quis. Não porque ache que possas dar-mas ou que mas queiras dar. É simplesmente porque, olhando para um futuro onde tu estejas, acordo do meu sonho e nunca fui tão feliz.

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

4 comentários:

Mi Lôra disse...

lindo, perfeito...

Stefani Soares disse...

Olá linda gostei muito eu to te seguindo me segue também to começando agora... sempre te dou uma forcinha quando vc posta seus textos na minha fan page Melhor que Chocolate...

http://nossocantinho321.blogspot.com.br/

Sophia Gil disse...

Mais um texto lindissimo!!
Gostei* Beijinhoo

Anónimo disse...

Gosto sempre