terça-feira, 10 de julho de 2012

Nada nem ninguém



Com as mãos coladas ao teu rosto e os olhos perdidos nos teus. O meu coração grita e eu sussurro. "Nada nem ninguém, acredita em mim, nada nem ninguém". E tu ouves, sorris... mas não acreditas. Os teus olhos brilham das lágrimas contidas e o rosto pálido ruboriza. "Nada nem ninguém", repito.
Tu e eu. Nascemos das improbabilidades, tu e eu. Filhos de céus e amantes do mar. Fomos criados para sermos tudo menos um do outro. E, no entanto, as minhas mãos têm o tamanho certo para segurar as tuas. Os meus lábios o formato certo para encaixarem nos teus. Contra tudo e todos, encontrámo-nos.
E, de mãos fechadas ao redor do teu rosto, tento que compreendas. "Nada nem ninguém!" Mas tu tens medo que eu esteja errada. Tens medo que eles ganhem essa batalha sem sentido. E semeias o medo no meu peito. Não quero perder-te.
Eu ouço as vozes. Elas dizem que não posso estar contigo. Elas dizem que pertences a outras gentes, a outros mundos que não o meu. Mas o meu coração fala mais alto e a sua voz é mais pura. Tão pura que me sai por entre os lábios e te promete que nada nem ninguém nos pode roubar um do outro.
Por momentos, queria ser poeta. As palavras fogem no vento e restam as minhas mãos cheias de ti e os meus lábios cheios de promessas mudas. Demorei a encontrar-te nos espinhos da vida. Não podem roubar-te de mim. Quero dizer que te amo. Quero dizer que a lua é nossa guardiã e que, de alguma forma, tudo ficará bem. Mas as palavras fogem-me e eles continuam a falar. E tu ouves o que eles dizem. Acreditas. Quem me dera que acreditasses antes em mim.
O nosso amor é a expressão concreta da felicidade. Mas eles invejam-nos e atacam-nos. Não nos compreendem. E nós somos fortes juntos mas eles são mais do que nós e não dormem, não comem, não sonham. Por favor... sonha tu, comigo!
"Nada nem ninguém, nunca!". As palavras, repetidas até à exaustão perdem a força nos teus olhos descrentes. Então, os meus lábios perdem a força de falar e encostam-se aos teus, com ternura. Um beijo quente e leve, cheio de tudo o que as palavras não dizem.
E afastas-me. O teu olhar brilha levemente, enquanto me passas a mão pelos cabelos revoltos. "Nada nem ninguém", repetes. E, de súbito, descubro que é verdade. Descubro que tu sabes que é verdade. E, nesse segundo, não há nada mais certo: podemos lutar contra tudo e nada nem ninguém nos vai destruir. Eles podem ter todas as palavras do universo mas, tu e eu...  bem, nós temos o verbo amar.

Marina Ferraz

*Imagem retirada da Internet

7 comentários:

Tânia disse...

"Nada nem ninguém", meu bem! :)

Lindo o texto! beijinhos.

José disse...

Cada texto teu tem ma história e cada uma delas deve falar de cada pessoa que por aqui passa. Podes não ter vivido tudo na vida, mas a experiência ajuda a construir textos assim.

Continua***

leo disse...

Neen sei como agradecer Marina, muito obrigado mesmo, chorei ao ler esse texto, Boa sorte em sua vida ! Beeijos - Leonardo Siqueira.

Anónimo disse...

Lindíssimo. Me emocionou. Me permite publicar um trecho em minha página do facebook?
Lidiane Paiva

Marina Ferraz disse...

Claro! Pode publicar, sim! Só lhe peço que refira a autoria! Bjs

Anónimo disse...

LINDISSIMOOO ME APAIXONEI..

carolzinha zuffo disse...

Gente para tudo, acho que de todos que eu li esse foi o mais perfeito... Cada vez mais me encanto com suas palavras... Parabens... Obrigada pelas mensagens... beijos...