terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Mares da lua


Os teus defeitos são como os mares da lua. Não se escondem nem se anulam. Ficam à vista, aos poucos, por entre a luz que carregas no sorriso. Não se iluminam com facilidade e fazem formas inventadas sobre realidades indistintas entre algo e coisa nenhuma.
Ficam-te na face iluminada, espelhados a contraste. Mas vêem-se apenas porque não os escondes. Porque queres que, no centro da luz que emanas, se veja o negrume das coisas que julgas erradas ou imperfeitas em ti.
Os teus defeitos não são defeitos. São apenas cicatrizes provocadas pelo embate súbito das contrariedades da vida. Barreiras que ergueste. Medos que cultivaste. Sentidos que ficaram gastos e desbotados por entre o sofrimento dos dias. E são formas definidas e estáticas dentro do teu eu sem definições. São formas que se dizem e se conhecem mas não importam. São cicatrizes de segredo que se estendem e te marcam e não se dizem a ninguém. Mas não precisas de contar a ninguém. Não precisas de me contar. Os teus defeitos são como os mares da lua.
Há luz nos recantos de ti onde embate o sol. E esse brilho reflete o sol na felicidade constante do que resta no fim de tudo o que são os nossos dias. Tal como a lua. E, tal como ela não esconde os mares mas apenas os deixa dormir no negrume de não terem luz, assim deixas esses medos, barreiras e sentidos na penumbra do ser, sem os esconderes nem realçares, buscando apenas ser a luz que há em ti.
E, olhando, mesmo que olhe com atenção e ao pormenor, eu vejo-te o quarto crescente de luz e não o escuro do que fica nos recantos das trevas de ti. Sei dos medos e das barreiras e dos sentidos dormentes que ficam no lado escuro da tua perfeição. Mas não me importa. Não importa porque a luz do que fica atrás das barreiras, por entre os medos e na emoção dos sentidos partilhados, é demasiado forte para se deixar esbater pela escuridão das cicatrizes que carregas.
Há perfeição em ti. Não porque não haja defeitos. Não porque escondas os defeitos. Não porque a realidade fique oculta atrás de um véu de fantasias loucas e insensatas. Há perfeição em ti porque deixas que te veja. Deixas que te veja a luz e a escuridão. Deixas que os teus defeitos sejam como os mares dessa lua distante onde, em formas indistintas de negro, se anunciam por entre o brilho constante, cortante, infinito.
Sim! Há perfeição em ti. Mesmo que, de permeio, exista a sombra do defeito. É uma perfeição lunar de brilho e treva. Uma perfeição que se estende e me arrebata de tal forma que me faz dizer, sem medos nem dúvidas, que eu também amo os mares da lua...

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet




Aproveito para deixar uma nota sobre a minha participação, enquanto autora, no Festival da Canção '14,cuja semi-final, a 8 de Março, será transmitida pela RTP.
Sou a autora da letra da canção nº 4, "Mais para dar" (composta por Helder Godinho e interpretada por Carla Ribeiro). Não deixem de ver, ouvir e de votar em nós! Qualquer voto é fundamental para nos ajudar a chegar à final de 15 de Março. Uma só chamada pode fazer a diferença! :) 

3 comentários:

Anónimo disse...

Amei o texto,sobre o que fala,o modo como retrata e é como,sempre, encontramos um defeito em nós mesmos.Gostei da parte da Lua,é perfeito.
Parabéns querida
Beijinhos Jenny ♥

Jennyfer Aguillar disse...

Amei o texto,como você escreve,de um jeito tão perfeito,gostei das partes da Lua,de como retratou o tema dos defeitos.Simplesmente amei.
Parabéns querida
Beijinhos Jenny ♥

Laura River disse...

Gosto muito dos seus textos, publiquei alguns excertos deles no meu blog, espero que não se importe. Não se preocupe deixei o nome da autora e deixei o link de onde os retirei ;)
Pode ver aqui o post:
http://lotsofthumbs.blogspot.pt/2014/03/to-writers.html

Obrigada e cumprimentos*