segunda-feira, 2 de junho de 2014



Já me dei e já me perdi. Já fui pressa magoada e calma sem sentido. Já procurei respostas por entre interrogações. Caí. Levantei-me. Fui guerreira às vezes mas também já me sentei à espera de ser salva.
Já fui minha, já fui dos outros. Já vendi ideias ao preço da desilusão e do abandono. Nunca fui perfeita mas já fui suficiente: suficientemente magoada, suficientemente usada, suficientemente abandonada  por aqueles que esperavam de mim a perfeição que eu nunca tive.
Já fui sombra. Já fui sol. Já fui nuvem. E já me construí em Invernos, Primaveras e Verões, sempre à espera do Outono que nunca veio para me roubar a respiração.
Já fui única. Ser única significava ser só. Por isso, no caminho, cheguei a ser igual a todos os outros. Mas fiquei vazia. Vazia de me dar e me vender às teorias e opiniões daqueles que diziam que me compreendiam os traços desiguais da alma.
Já fui além do que fica depois da mágoa e já fui quem chora e grita. Quem esperneia e amua. Porque já conheci o fundo ao poço entre as promessas de céu.
Já olhei as estrelas mas nunca agarrei nenhuma entre os dedos. Já abri as asas mas nunca voei. Fui sendo o que já sabia ser porque o céu assusta quem vive no escuro e eu já fui filha das trevas.
Já fui muitas coisas. Já fui quem queria ser. Já fui quem não queria. Já fui quem os outros quiseram que eu fosse. Já fui menina. Já fui mulher. Já fui tudo ao mesmo tempo, numa explosão de confusão e sentidos e já fui o nada que se encosta à espera do futuro, sem acreditar que ele traga algo melhor.
Já fui eu comigo. Já fui eu sem mim. Já fui todo este universo de coisas e de momentos. O que ainda não fui fica guardado nos dedos de uma mão, escasso e desbotado.
Já fui muitas coisas. Mas ainda não fui eu contigo. E penso que é por isso que também ainda não fui feliz...

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

3 comentários:

Jennyfer Aguillar disse...

Texto perfeito. Para começar junho em grande estili. Minha parte preferida é " Já olhei as estrelas mas nunca agarrei nenhuma entre os dedos. Já abri as asas mas nunca voei. ". É uma parte doce e ao mesmo tempo triste,é encantador.
Parabéns querida
Saudades enormes.
Beijinhos Jenny ♥♥♥♥

Jessica Ellen disse...

Perfeitooo *--*
Emocionante, e nos deixa assim com lágrimas nos olhos e sem palavras nos lábios!!

thalya gonçalvez disse...

Marina adoro os seus textos, me identifico com vários, quero mto comprar ou ganhar um livro seu, seus textos são apaixonantes, tenho só 16 anos, adoro ler e seus textos me alegram, bjs