terça-feira, 15 de março de 2016

Os homens que (não) gostam de mulheres



Quando me falaram dele, disseram simplesmente: "ele não gosta de mulheres". Intercalaram com um risinho suave e todos os tons da falta de aceitação.

Ele entrou. Entrou a sorrir. Cumprimentou-as com educação e dois beijos repenicados no rosto. Gabou-lhes a beleza com a simplicidade de um "estão tão bonitas, esta noite.". Olhou para mim. Apresentou-se. Recebeu-me num abraço como se me conhecesse há séculos e, com ternura na voz, afirmou que gostava da minha maquilhagem. Tinha uma voz afeminada e que ficava estridente por entre o entusiasmo dos momentos.

Quis saber como ia a nossa vida. Dos nossos amores e desamores. Do nosso trabalho. Da nossa família. Nunca nos interrompeu. Ouviu. Deixou, em tom de conselho, algumas palavras de apoio. E, quando nos despedimos, esperou que todas estivéssemos na segurança do carro antes de partir.

Sobre as mulheres. Não as desejava! Não queria namorar com elas. Ria da ideia de um relacionamento com uma. Fazia um trejeito de angústia perante a ideia. E ria do trejeito como se ele não fizesse sentido.

Ele fez-me pensar. Fez-me pensar nos homens que gostam de mulheres. Naqueles que - tantas vezes - brincam com os sentimentos delas. Naqueles que ignoram as suas necessidades e pensamentos. Naqueles que abusam delas. Naqueles que as remetem para a dimensão das limpezas e da cozinha. Naqueles que as objectificam, usam e sexualizam. Naqueles que as agridem física e psicologicamente. Naqueles que as magoam e se gabam disso aos amigos como se de um feito se tratasse.

Destes, também conheci alguns. Apresentaram-mos como se fossem homens "com H grande", homens "a sério", bons partidos. Homens viris e de masculinidade inegável. Chamaram-lhes, implicitamente "homens que gostam de mulheres".
Mas quem gosta, respeita. Quem gosta, esforça-se. Quem gosta, repara. Quem gosta, ouve.

Aprendi a chamar as coisas pelo nome. Quando o apresento a alguém, se calha em conversa e porque sei que ele não se importa, digo que ele é homossexual. Nem ele nem eu temos medo das palavras. Mas, porque é verdade, digo-o assim: "este é o meu amigo - é gay - e, provavelmente, é um dos homens que mais gosta de mulheres!".

Marina Ferraz


*Imagem retirada da Internet

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2 comentários:

Jennyfer Aguillar disse...

Adorei,a verdade é que hoje muitos se gabam de ser homens,mas não agem realmente como um. É triste ver homossexuais se encondendo com medo de serem repreendidos,infelizmente vemos cada vez mais pessoas com a cabeça pequena que se acham donos de uma verdade que nem existe. Os homens que realmente amam as mulheres merecem ser respeitados e valorizados,acima de tudo porque são seres humanos também.
Texto incrível,como sempre :)
Beijos ^.^

Leandra Oliveira disse...

"provavelmente, é um dos homens que mais gosta de mulheres!" Tenho um assim, e é um dos melhores, sem duvidas