terça-feira, 5 de junho de 2018

O meu erro




O meu erro nunca foi não ter amor. Foi ter um amor que não se esgota em ti. E tentar manter fechadas as asas e fingir que não era dona do céu e do meu destino.

O meu erro nunca foi o egoísmo. Foi dar-me demais e vezes demais, com uma intensidade que me tirava de mim. E precisar de me devolver a mim mesma ao final do dia, para tentar… ao menos tentar… sentir que sou gente.

O meu erro nunca foi não entender. Foi entender mais do que a realidade dos homens. Das mulheres. Dos humanos. Ver além do véu que separa o visível do oculto.

O meu erro nunca foi não mudar. Foi sempre a mudança, segundo a segundo, que se opera em mim, como se eu fosse duas, três, um milhão de pessoas distintas, dentro da mesma cabeça, cantando numa só alma.

O meu erro nunca foi a cobardia. Foi saber o que havia além das peças quebráveis que me tombavam das mãos e não ter medo dos cortes nem fingir que o tinha.

O meu erro nunca foi não saber falar. Foi conhecer a língua dos homens mas escolher a das árvores e falar no idioma das flores, por os achar mais justos e mais plenos.

O meu erro nunca foi a loucura. Foi sempre a sanidade encontrada nos meandros do incompreensível e nas esquinas da imperfeição. E o cuidado eterno pelo que não é linear e estanque. Pelo que é distinto, único, peculiar.

O meu erro nunca foi a falta de compreensão. Foi justamente as coisas que compreendia, mesmo sem saber, numa intuição tosca, modelada no centro do peito, qual plasticina.

O meu erro nunca foi o silêncio. Foi justamente estar cheia de palavras, metade das quais ninguém sabe, metade das quais ninguém pode entender.

O meu erro nunca foi não ser eu. Foi tentar pertencer-te, quando sei que pertenço à floresta.


O meu erro nunca foi um erro. Fui simplesmente eu. A ser eu. Como disseste que me querias.

Nem todas as mãos conseguem apanhar raios de luz.

Nem todos os corações conseguem abarcar raios de sombra.

O meu erro foi achar que tu conseguias.





*Imagem retirada da Internet



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