quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Cinco letras



"Amo-te" é uma palavra que não se diz em cinco letras. Dizer amo-te envolve todas as letras do alfabeto e mais algumas por inventar. "Amo-te" diz-se pela manhã, num beijo ternurento, por entre a roupa desgrenhada e o cabelo revolto. "Amo-te" diz-se pela ajuda no momento de dificuldade e pela aceitação onde só se espera a critica. "Amo-te" diz-se em chávenas de chá nos dias de gripe e em abraços em dias de choro. "Amo-te" diz-se nos abanões perante  ideias ou escolhas erradas. "Amo-te" tem cinco letras mas não se diz em cinco letras. "Amo-te" é uma palavra que não se diz.
"Amo-te" é uma palavra que pode ficar calada num olhar e presa num gesto. "Amo-te" é a mão passada levemente pelo rosto, depois de um beijo, é o silêncio que fica por entre conversas sobre tudo e nada. "Amo-te" é um empurrão ao de leve, um riso de lágrimas nos olhos, uma piada por entre uma conversa séria. É uma brincadeira que acaba num beijo. Um beijo que acaba num abraço. Um abraço onde dois se tornam um só.
"Amo-te" não é uma palavra que possa ser dita sem um gesto. É uma palavra vazia por si só. Mas quando nasce no silêncio de um movimento, de um olhar, de um beijo, mesmo sem que ninguém a diga, "amo-te" é a maior palavra do mundo, a mais repleta de sentido, a mais especial.
"Amo-te" não é algo que se atire ao ar, para ser agarrado pelas estrelas. "Amo-te" é a promessa, a espera, a presença. É o batimento acelerado do coração, o medo de perder o outro nas estradas da vida, o ciúme quando o tempo passa e o amor não vem. "Amo-te" é o olhar perdido no céu, a oração calada para que tudo corra bem na vida de quem se ama, a esperança ousada de ver passar na rua um rosto que se assemelhe.
"Amo-te" é o sorriso no horizonte. É a estrada dentro do peito. É a flor no cabelo. "Amo-te" é a jura calada do para sempre. E vale a pena esperar por esse amor que não se diz. Porque ele surge e mostra, a cada segundo, que é só para nós.
"Amo-te" é uma palavra que não se diz em cinco letras. É uma palavra que não se diz num romance nem na mais longa das dissertações. E é por isto que, sem nunca ter dito cinco letras vazias, eu sei que disse o que sentia. Porque dei os meus olhos, a minha alma, o meu coração. Porque dei o meu riso, as minhas lágrimas, o meu apoio. Porque me tiveram nas mãos, cativa e feliz. Porque, olhando com atenção, veremos que alguém ainda carrega consigo um "para sempre" que é meu.

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

9 comentários:

PS disse...

Lindo, adorei mesmo, mesmo mas mesmo :)
Posso citar-te lá no meu blog? :)
Beijinhos*

Anónimo disse...

Maravilhoso texto Marina,eu amei perfecto,beijinhos Jenny

Histórias Que Podiam Ser disse...

Amei, e chegam quatro letras! :D

Jessica A. disse...

Texto incrível e lindo,gosto muito do vosso jeito de escrever.
Beijos

BRANCA disse...

ADOREI COMO SEMPRE DE UMA PROFUNDIDADE IMPAR

Pedro Santos disse...

Cinco estrelas!

Anónimo disse...

Amei seu texto! Obrigada por compartilhar.

Anónimo disse...

Simplesmente maravilhoso

LIRIO DO CAMPO disse...

Amei profundo...LINDO COMO SEMPRE