segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Simples assim


Foi simples assim. Dor, medo, desilusão. Mentiras sem começo nem fim, caladas em silêncios, mortas em atitudes, sob capas de desprezo.
Foi simples assim. O usar e o deitar fora. Ter o coração espezinhado, a vida rasgada, os olhos repletos de lágrimas e a alma dorida, contrafeita e maltratada, ferida pelas mãos de quem nem faz ideia que depois da doçura fica o amargo da solidão.
Foi simples assim. A saudade a apertar o corpo, o desengano das horas, a mágoa de esperar um amanhã que já ficou num anteontem distante. E a amargura dos sentidos, mortos no inóspito sentimento que ficou inteiro porque alguém não quis metade.
De braço dado com a tristeza foi simples como desistir de tudo, simples como aprender a viver meia vida, com meias vitórias e meios sentidos. E caminhar descalça por pisos de sofrimento, beijando a esperança nas esquinas apenas para a ver morta em becos de desengano.
Trazer a tortura ao colo, aceitar que não há no mundo lugar para o vazio de nós. E caminhar, passo a passo, nos caminhos errados das florestas de pesadelos reais, que se envolvem nas névoas dos boatos e da mesquinhez alheia.
Foi simples assim. Como desistir de tudo. Como não esperar nada além da morte. Como não desejar nada além do que ficou atrás das cortinas negras do passado. Como não sentir nada além da taciturna dor de um amor que foi e já não é.
Foi dor e medo e desilusão. Foi abandono e luta e mágoas sem fim. Foi morte e desassossego, nos recantos de uma mente onde proliferam os espinhos da vida. Foi a espera inusitada do que nunca veio, o cultivar do vazio, o aceitar do fim.
Foi simples assim amar alguém. Simples como respirar o desespero das horas. Simples como dormir sobre o chão rugoso do  medo. E diriam, alguns, que foi como nunca mais vai ser, porque não vale a pena.
Foi simples assim. Simples como a complexidade do mundo. E sim, foi dor e medo e desilusão, todas juntas, ancoradas em feridas e sentidos que não passaram de mágoas disfarçadas. Mas faria tudo outra vez. Porque o meu amor é maior do que tudo o que, afinal, não foi simples.

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet 

5 comentários:

Jennyfer Aguillar disse...

Amei,é perfeito,apesar de triste .
Parabéns querida :D ♥

Anónimo disse...

Gostei,muito bom o texto ;)

Anónimo disse...

Adorei seu jeito de escrever,parabéns

Claudia Canto disse...

hoje e sempre sencibisando em leitura inebriante...

Claudia Canto disse...

hoje e sempre sencibisando em leitura inebriante...