quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O meu mundo



O meu mundo parou. Parou à tua passagem, por entre conversas e memórias de um passado que não era nosso. Ficou estático entre a compreensão das coisas, como se, por um momento, apenas eu pudesse mover-me nas horas, no espaço, no pensamento. As pessoas calaram-se. A música cessou. O relógio recusou-se a fazer avançar os ponteiros. E o meu mundo? O meu mundo parou.
O meu mundo parou, enquanto o meu coração acelerava e a minha mente corria em busca de um entendimento vão, que nunca se fez presente. Parou, simplesmente, enquanto me destruía as muralhas e as barreiras que eu tinha levado tanto tempo a construir. Parou e revirou-se, apagando-me velhas certezas e criando novos medos, novos sonhos, novas formas de entender a vida.
O meu mundo parou. E eu movi-me no desconforto da sua paragem e olhei para ti. Podia sentir nas veias o pulsar arrítmico do meu coração. Podia sentir nos meus olhos o brilho de olharem para ti. E podia sentir, por entre o meu mundo parado, a vontade de me libertar das amarras do passado para voar contigo, rumo aos locais mais longínquos, onde a realidade se esbate e os sonhos se tornam reais.
O meu mundo parou. Parou, na tua passagem, enquanto o meu peito se apertava e as minhas mãos cerravam, tentando agarrar entre os dedos a incerteza do amanhã. Parou enquanto todas as outras pessoas desapareciam, e as paredes se reajustavam e comprimiam, sem deixarem espaço para nada além de nós. E, sem nada além de nós entre as paredes comprimidas, o meu mundo cresceu de uma forma inimaginável, dando lugar a sentimentos que eu ainda não conhecia e que não me sabia capaz de encontrar. As memórias do passado desvaneceram nesses sentimentos, como se, de alguma forma, o mundo que agora parava se preparasse para me deixar começar de novo uma jornada pelos trilhos da paixão.
O meu mundo parou. Parou, à tua passagem, por entre conversas e memórias de um passado que não era nosso. Parou, sem fazer alarde, sem que eu o tivesse desejado ou previsto. Fizeste o meu mundo parar e, de alguma forma, deste-lhe uma vida que ele nunca tinha tido.
O meu mundo parou. E, subitamente, quando ele voltou a girar, o meu mundo eras tu...

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

1 comentário:

Jennyfer Aguillar disse...

Adorei o texto,é tão sentimental e profundo que o faz extremamente encantador de ler. Minha parte preferida é,sem dúvida, " Fizeste o meu mundo parar e, de alguma forma, deste-lhe uma vida que ele nunca tinha tido.O meu mundo parou. E, subitamente, quando ele voltou a girar, o meu mundo eras tu..."
Parabéns querida
Beijinhos Jenny ♥♥