terça-feira, 16 de setembro de 2014

Rio da Saudade



No rio da saudade perdi a esperança.
O beijo da brisa veio roubar-me,
Levar-me a essência dos momentos,
A sanidade das horas tardias.
Foi à beira do rio que perdi as mãos,
Julgando que as dava ao destino
Para caminharmos, enamorados,
Num vale que era de desolação
E não de fantasia.
Construíram pontes naquele rio
E eu caminhei sobre elas…
De esperança perdida nos medos,
De medos perdidos no corpo,
De corpo dado na emoção.
No rio da saudade perdi o equilíbrio:
O equilíbrio de saber que ias estar
Na outra margem à minha espera
E fitei o teu rosto, sempre jovem,
Quando o meu reflexo me devia ser devolvido.
Então, no rio da saudade, eu parei
Parei entre margens de relva triste,
Entre pedras de mágoa ferida.
E, porque não tinha mãos ou esperança
Mas apenas pontes para lado nenhum,
No rio da saudade eu parei
E foi lá que perdi a vida…

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

1 comentário:

Jennyfer Aguillar disse...

Amei. É lindo e triste,a poeticidade e o sentimento trazem a beleza dele. Minha parte preferida é " Construíram pontes naquele rio
E eu caminhei sobre elas…
De esperança perdida nos medos,
De medos perdidos no corpo,
De corpo dado na emoção."
Parabéns querida
Beijinhos Jenny ♥♥