terça-feira, 9 de setembro de 2014

Diamante


Tu és um diamante em bruto e vão dizer-te que devias ser lapidado. Na busca pela perfeição, talvez os ouças e saias por aí a cortar a pele no desejo de encontrares o melhor de ti. E vais perder-te aos bocados, entre mil promessas vazias de que o melhor fica por baixo das camadas que ainda não despiste.
Tu és um diamante em bruto e vão olhar-te, muitas vezes, como se te faltasse alguma coisa. Na luta por um sonho qualquer, talvez te veja ainda a rondar vitrinas de luxúria e a chorar sobre potes de ouro, como se a riqueza do que fica dentro não bastasse.
O que vais entender um dia - ou não - é que o valor não está nos cortes nem nas somas. O valor está na essência, por detrás da imperfeição e da máscara.
Tu és um diamante em bruto  mas não o sabes. Não o sabes porque estás à procura de ti por entre as opiniões daqueles que te cobiçam ou não te vêem. E vais-te deixando lapidar, na busca incessante de vires a ser mais do que tu.
Não devias ouvi-los! Devias guiar-te pela tua alma. Devias saber que é inteiro que te tornas especial. E, nos recantos imperfeitos de ti, devias construir arestas que não dessem para limar.
Tu és um diamante em bruto que querem lapidar. Não para seres mais belo mas para que sejas igual a um milhão de outros diamantes. E eu sei que os ouves. Sei que te fazer crer que podes ser melhor e que, sem sequer o notares, te dás e te vendes por aí, te perdes e te destróis.
Gostava de te arrancar das mãos obsoletas  daqueles que te invejam e de te devolver tudo o que te roubaram. Mas tu és um diamante em bruto e ouviste, por aí, que devias ser lapidado. Então, permitiste que cortassem, aos poucos, o que te tornava quem eras: as frases meigas, os olhares cintilantes, a esperança do amanhã. Os risos sinceros, as conversas sem motivo nem agenda, o romance louco, completo, indomável.
E, enquanto te lapidavam, para te tornares numa imagem do que te idealizaram, eu fui arrancada de ti, qual aresta irregular e tola que te atrasava nessa busca pela perfeição.
Então, por muito que gostasse de te arrancar das mãos de quem te diminui e te inveja, já não posso fazê-lo. Mas não te enganes! Por muito que te cortem e te estraguem com promessas falsas de perfeições, para mim serás sempre esse diamante em bruto, de beleza desigual, do qual, por algum tempo, tive a honra de fazer parte.

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

3 comentários:

BRANCA disse...

MUITO PROFUNDO, MUITO LINDO LAVA A ALMA NÃO DEIXE DE ESCREVER E MUITO BOM LER E COMO SE ESTAMPASSE TUA ALMA...AMEIII

BRANCA disse...

MUITO PROFUNDO, MUITO LINDO LAVA A ALMA NÃO DEIXE DE ESCREVER E MUITO BOM LER E COMO SE ESTAMPASSE TUA ALMA...AMEIII

Jennyfer Aguillar disse...

Eu ameii. É lindo, e por mais que gostasse de dizer que é ficção,não é,as pessoas se corrompem por influência alheia. Tenho duas partes preferidas "O que vais entender um dia - ou não - é que o valor não está nos cortes nem nas somas. O valor está na essência, por detrás da imperfeição e da máscara." e "Devias saber que é inteiro que te tornas especial. E, nos recantos imperfeitos de ti, devias construir arestas que não dessem para limar."
Parabéns querida
Beijinhos Jenny ♥♥