terça-feira, 3 de março de 2015

Como um poema



É em ti que eu começo e acabo. Como um poema. Sabes? A minha métrica desfeita em vozes e pensamentos que se consubstanciam nessa tua presença. Como um poema. E é tão incerta a minha rima...
Às vezes sinto que as tuas mãos poderiam ser o primeiro verso do poema que sou. O seu toque leve sobre as teclas pretas e brancas do piano, tocando com igual devoção o que existe de luz e caos neste universo incerto de coisas por sentir. Mas sentes. Sentes todas. E a todas dedicas igual sentido de plenitude. É por isso que acredito que as tuas mãos são o primeiro verso de mim. Onde começas a escrever-me, delineando cada traço bom e mau, feliz e infeliz. É em ti que eu começo e acabo. Como um poema.
É nos teus lábios que se dá o crescendo dos meus sentidos. Verso após verso. Linha após linha. É no toque suave dos teus lábios que ultrapasso o que existe de certo e incerto no traço inconstante de mim, desenhado pelas tuas mãos e rasgado pela vida. Cada beijo é uma história nova e a mesma história. Como se eu própria fosse narrativa e me completasse aos poucos nesse toque de eternidade, feito nos sopros prudentes dos lábios entreabertos. Se sou muito ou pouco ou quase nada... é a essa pergunta que respondem os teus lábios. E é nessa resposta que vou descobrindo recantos de mim. É em ti que eu começo e acabo. Como um poema.
 Mas é nos teus olhos que expludo em sentido e que me concluo. No brilho dos olhos, que explica que as mãos não tocam apenas por desejo e que os lábios não se entreabrem somente por paixão. É nos teus olhos que encontro as conclusões mais certas e profundas para a explicação de mim. E é neles que me compreendo com mais rigor e intensidade. Nos teus olhos. Esses olhos onde o brilho não esmorece quando o sol se põe. Esses olhos que amam o horizonte, a lua, as estrelas na distância mas que se pousam em mim e me dizem que sentem mais pelo que fica perto. E que declamam o poema feito nas mãos e nos lábios, acrescentando ao desejo e à paixão a centelha de amor que os move e os permeia e os torna unos. É em ti que eu começo e acabo. Como um poema.
A minha rima é incerta. Feita dos traços do teu toque, do teu sabor, do teu olhar. Incerta como o tempo lá fora que sorri e chora e se desfaz em névoa, sem que saibamos porquê. Mas eu sou como um poema. Um poema feito nos traços da vida que te pôs no meu caminho. Um poema feito no embalo do Universo que nos escreveu a sina nas estrelas. Um poema que permeia cada segundo de (in)sanidade de mim. São poucos os que compreendem a minha alma. São poucos os que adentram as muralhas e conhecem o meu "eu". Mas tu compreendes. Tu sabes. Eu sou como um poema. Um poema que tu sabes interpretar como ninguém, porque é teu. E é em ti que eu começo e acabo.

Marina Ferraz 
*Imagem retirada da Internet

6 comentários:

Jennyfer Aguillar disse...

Incrível,texto perfeito como sempre querida :D
Adoro essa melodia que você incorporou ao texto,as palavras carregadas de sentimentos, é incrível,inspira-me a escrever.
Beijinhos Jenny ^.^

Analu disse...

Me deixou sem palavras, é o segundo texto que eu leio e me fez sentir como no outro texto.

Mariana disse...

Nossa cara,que texto legal,muito bom,gostei bastante :) :) :) :)

Anónimo disse...

Muito bom,eu tenho um texto nesse mesmo estilo,mas o seu é bem melhor.
Abraços Jonas

Lirio do campo disse...

Ao ler cofesso as lagrimas me acompanharam a cada frase a cada verso...nunca demorei tanto para conseguir ler,POIS A PROFUNDIDADE E ESTENCIVA E DIRIA VIZITEI ESTE CADA ENCENAÇÃO ME FAZENDO PRESENTE.INESPLICAVELMENTE PROFUNDO...

Lirio do campo disse...

Ao ler cofesso as lagrimas me acompanharam a cada frase a cada verso...nunca demorei tanto para conseguir ler,POIS A PROFUNDIDADE E ESTENCIVA E DIRIA VIZITEI ESTE CADA ENCENAÇÃO ME FAZENDO PRESENTE.INESPLICAVELMENTE PROFUNDO...