Mas o capitalismo está feliz. É o funcionário do mês. Todos os meses. Em todos os lugares. Senhorios, magnatas, empresários que nunca contaram tostão... esses esfregam as mãos. Contentes. As contas estão recheadas e têm lugar à frente para assistir à detonação. Das almas. Dos bairros da lata. Das vidas dos operários do mundano... Haja fertilidade. Mais se façam para os próximos anos...
No palco, o artista brilha nos cinco minutos de alegria que só sonhou ter. Roídos de inveja, os que ficam a ver, condenam. Mais fácil é condenar a felicidade do que o Estado que a tira. Mais fácil é condenar a verdade do que aquele que vive de mentira. E vem a ira. As fações. Quem defende e quem ataca, com iguais interjeições. Ódio. Gratuito. Tudo o resto é a pagar...
Haja Deus no altar. Até ele despido e desvirtuado. Passar um pano no passado e salpicá-lo com gotas de culpa alheia. O inimigo que esteve e o mal que fez. O remediar desses erros, outra vez. Dizer esculpido em pedra o que foi escrito a giz. E, desmascarado, o devoto: foi Deus que assim quis.
Onde vai este país? Já não consigo, não quero ver o que se passa. Mas não consigo, não quero ignorar. É um sentir misturado com a maldição de pensar.
O sol põe-se. Vem a noite. Três disparos. Dois feridos. O som acorda os sentidos... mas vamos tão adormecidos, que nem o sono acomete. E amanhã? Acorda e repete...
É grave. Entrave. Tão grave que se torna agudo. Um tudo que não é nada. Um nada que se faz tudo. E um pensamento mudo nesta grande salganhada. Querer acordar e ouvir: Simulação terminada.
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