Costumo brincar e dizer que o meu blog é serviço público. É gratuito, não aceito publicidade (como os canais de serviço público nacionais não deveriam aceitar, mas...), tem espaço de comentários para que possam ativamente discordar do que eu digo e trato de temas tão diversos como a atualidade política e os males do coração. Este é um espaço de encontro e de partilha que já leva 20 anos de estrada e que mantenho, não porque sinto que seja altamente amado (ou conhecido), mas porque julgo que as pessoas que o visitam merecem essa permanência, e que eu mereço dar a mim mesma a irreverente liberdade de não desistir, apesar de tudo o que me poderia motivar a fazê-lo.
Antigamente, mantinha-me muito atenta. Por mais do que uma vez me avisaram de que estava a ser plagiada. E, nessa altura, pesquisas bastante simples mostraram-me que isto era verdade: por muita gente... principalmente em espaços online, mas também em livros... e nem todos os autores eram desconhecidos do grande público.
Não vou mentir. Anos e anos levei na senda de acusar, de denunciar, de enviar emails para esta e aquela entidade, fazendo valer o que era meu por direito: a autoria. Chorei, senti o coração apertadinho no peito... e desisti de andar à caça de imbecis. Mas, recentemente, descobri alguns trechos meus assinados por outras pessoas e, mesmo querendo largar o assunto com um simples “coitadinho do imbecil tal e tal, que não sabe escrever e provavelmente rouba para alimentar a ilusão, que ia morrer de fome”, confesso que me magoou... outra vez... não chorei, mas tive vontade. O coração redescobriu a arte de se apertar no peito. Males de humano... que a IA certamente não se importaria...
Acredito que toda a gente tem talento para alguma coisa. Fico com pena que algumas pessoas tenham este: o talento de roubar propriedade intelectual, seja minha ou não. Não sei se criam a ilusão de que o texto verdadeiramente lhes pertença ou se convivem harmoniosamente com a mentira. Não sei se o fazem à procura de elogios, porque lhes falta a inspiração, ou simplesmente por falta de caráter.
No final, o texto continua a ser meu. Saiu da minha cabeça, pelos meus dedos. Nasceu. Vive. Dá-se aos outros.
Quero sempre dar aos outros...
Mas dar, não é dar os textos... Não é dar o direito de pegarem nas minhas palavras e fingirem que são suas. É dar o que os artigos trazem. Permitir que os sorvam e os sintam. Que os amem, odeiem, releiam ou esqueçam.
Então, fico com vontade do dia em que tenha de me bater de frente com quem rouba estes bocadinhos da minha alma e provar inequivocamente que os meus textos são meus. Porque eu sei que é darem-me um papel, uma caneta e cinco minutinhos... do que precisarão os meus plagiadores para provarem que os textos roubados são seus?
Este não é um artigo simpático, nem algo que a maioria dos meus leitores precisasse de ler. Mas é um assunto do qual não se fala o suficiente. E o meu coração apertado precisou de desabafar. Isto, senhores, é o serviço público que o meu blog também me presta. O de me dar espaço para ser fundamentalmente eu. Com as minhas palavras e as minhas emoções.
(Pode também encontrá-las como se fossem palavras e emoções de outros,
numa Internet perto de si.)
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