Todos são iguais. Exceto os que, por motivos de força maior (ou menor), são menos iguais. E os que, por razões várias, são simplesmente desiguais.
Assim se entende a desigualdade entre quem vota, quem não vota, quem podia votar e não votou e quem não podia votar, mas queria fazê-lo.
Quem me conhece sabe que sigo noites eleitorais de uma forma semelhante à de qualquer apostador desportivo na final da Champions. Quando chega a grande noite, já tenho a literatura toda. Li os programas dos partidos, vi os debates, procurei notícias nacionais, internacionais e siderais. Sei as sondagens (embora não lhes ligue muito) e, mesmo descrente de que a ação divina venha a alterar resultados, ponho uma velinha à esquerda... É a esperança de dizer paz à sua alma a uma tirania que segue viva.
Por norma, se é noite eleitoral, mesmo sem televisão, tenho um navegador web aberto, com sei-lá-eu-quantos separadores, para garantir que vou acompanhando a par e passo os números, as declarações, os comentários. Como qualquer bom adepto, neste caso do Clube da Liberdade, também me exalto, enervo e só não roo unhas porque nunca as tenho muito acima do sabugo.
Ainda assim, no domingo, não o fiz. Era, talvez, o momento de decisão mais importante dos últimos anos, mas não o fiz. O desconforto, tão presente em mim, fez-me sentir que não queria, não podia, fazer parte disto... Não quando 36 852 eleitores eram transformados em gente dispensável.
Voltemos atrás.
Eu votei no dia 1 de fevereiro, em mobilidade. As eleições, agendadas para dia 8, depois de duas tempestades agressivas e que devastaram parte do país, deixaram de fora algumas zonas afetadas, onde (e bem!) se adiou o sufrágio. Ficaram, então, os referidos 36 852 eleitores com as eleições proteladas para o próximo dia 15 de fevereiro. Ora, quando eu votei, não houve noite eleitoral. Faz sentido. A contagem, julguei eu, deveria ser feita com a totalidade dos votos e não com os votos antecipados. Votar, afinal, é um direito e um dever! Mas, para minha surpresa (e indignação), a noite eleitoral de dia 8 decorreu como se nada fosse. O vencedor e o vencido foram anunciados. Fizeram os seus discursos. Os media beberam de toda a narrativa, sempre dizendo que os votos de dia 15 não podem alterar o resultado, o que matematicamente faz sentido, mas...
Tudo bem! Esses votos não alteram o resultado. Digamos a esta gente, portanto, que é dispensável. Que ir votar ou não ir votar é igual. Que o seu voto não serve para decidir nada.
Ide lá agora dizer que todos são iguais. Porque eu insisto. Todos, exceto os que, por motivos de força maior (ou menor), são menos iguais e os que, por razões várias, são simplesmente desiguais.
O facto é que esta eleição, de resultado animador (dadas as opções) valorizou, a meu ver, um argumento que cabia ao vencido: há cidadãos de primeira e de segunda.
A mensagem
que isto me passa é simples: cuidado
minha gente! Se perderem tudo... provavelmente, perderão mais. Até a relevância
da vossa cidadania. Até a relevância do vosso voto. Além de desalojados, serão
dispensáveis...
Escrevo isto com tristeza.
E logo agora! Logo nestas eleições, nas quais o resultado poderia ter-me aliviado o espírito.
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