Enquanto lá fora acontece aquele fenómeno estranhíssimo chamado inverno e a Proteção Civil nos vai avisando que Josephs e Kristins estão de passagem pelo território português, trazendo de outras terras o seu mau feitio, eu vou driblando outras tempestades, que chegam em tempo de campanha.
Discursos e discursozinhos tentam mostrar-nos o mau e o péssimo, pintando-os de ouro ou carvão. O país divide-se, subitamente, entre extremistas de direita que se dizem moderados e especialistas versados sobre a constituição que se dizem democratas.
Aqui e ali, vão caindo apoios a conta-gotas, que acrescentam à poça já lamacenta mais um pedaço de sargaço. Posturas e posições são elogiadas ou criticadas, como se fossem espelho de uma convicção ou de uma alma. A crítica e o elogio esquecem que o mercado de influências, como o do futebol, se move maquiavelicamente por interesses que enchem contas bancárias. Quantas vezes teriam vozes um som tilintante, não fosse a digitalização da moeda? Jamais saberemos...
Convém não pensar nisso. Mais concretamente convém que nós – o miserável e útil povinho – não pensemos nisso. Nas trocas de valores e de promessas e de favores... Convém que o vento a 140 km/h varra do nosso pensamento qualquer réstia de bom senso, para sermos parte da horda e amiguinhos do sistema.
Comunicação e política focam-se na tempestade e pedem-nos, subrepticiamente, que não sejamos tempestade. Duas palmadinhas nas costas e a frase feita que convém ao momento: Não faças uma tempestade num copo de água.
Que copo? Que água?
Estamos a morrer à sede neste país à beira-mar. Mas, por falar em beira-mar... alerta vermelho de agitação marítima. Foquem nisso. Não saiam de casa. Já há ondas que cheguem. Não façam ondas, pessoas...
A alma dói. O ano passado já se falava em mais de 14 mil sem-abrigo em Portugal... ficamos em casa... e eles?
Entra o entretenimento para nos fazer esquecer também disto. Tomara que não falte a luz, para que a televisão se mantenha ligada e possamos acompanhar os enredos especialmente selecionados para a nossa paz mental.
A segunda volta das presidenciais ainda está a duas semanas. O vento vai ser pior esta noite, mas tudo passa. Mudem o vosso carro, se estiver debaixo de postes e árvores. Liguem a televisão. Desliguem a mente. Distraiam-se.
Não façam tempestades num copo de água. Num copo de vinho, ainda vá que não vá, porque a embriaguez anestesia. Mas num copo de água... isso não!
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