domingo, 10 de setembro de 2006

Diário da desolação
















Hoje acordei e olhei a janela. A manhã estava calma e o sol de Verão brilhava insistentemente do outro lado da janela apesar de eu já lhe ter pedido para dar lugar às chuvas de Outono.
Cá dentro sentia o mesmo vazio de ontem e do dia anterior, a mesma angústia do último mês, a mesma dor de sempre. Mesmo assim o novo dia teimara em surgir.
Espreguicei-me e cumpri a já sagrada rotina, sem nada de novo ou emocionante.
Vesti as primeiras calças de ganga que apanhei e a T-shirt que tinha ficado no cimo da gaveta, sem sequer reparar se estava bem ou não, olhei penosamente para a mochila, desejando ardentemente que as aulas já tivessem começado, ocupando a minha cabeça com algo mais do que certezas arrebatadoras e cruéis.
Passo o dia em correrias desenfreadas, andando a maior parte do tempo de um lado para o outro, fingindo-me ocupada para me convencer a mim mesma de que o cansaço constante em que me encontro tem razão de ser e volto para casa, taciturna, desolada e perdida, em busca de um pouco de conforto.
O caderno, em cima da secretária, já não me inspira nem me chama. Limita-se a ficar ali, à espera que um dia eu volte a ser quem era e tenha finalmente vontade de escrever romances que, ao contrário da minha vida, acabam sempre bem…
Deito-me na cama e desato a chorar todas as lágrimas reprimidas durante o dia. Não posso chorar à frente de ninguém, só o posso fazer no meu solitário quarto, onde sei que ninguém me irá procurar, até porque ninguém quer saber.
Depois de chorar horas a fio, sinto-me inútil e humilhada, como se aquelas lágrimas não fossem apenas um desabafo.
Entretanto, sinto medo. Tudo à minha volta me assusta, qualquer ruído, qualquer sombra, qualquer movimento e eu fico ali, aterrada e julgando-me louca.
Acabo por adormecer e estou tão cansada que nem sei se sonho ou não. Já não ligo aos sonhos, perdi a vontade de os lembrar, perdi a vontade de acreditar neles.
Só sei que na manhã seguinte vou acordar e achar que fui forte por ultrapassar todos os medos sozinha no meu quarto e por me proibir de chorar junto aos outros.
A verdade, a terrível verdade, é que amanhã quando acordar e vir o sol brilhar do outro lado da janela, vou ter vontade de chorar outra vez e vou sofrer de novo.
Mas, enquanto durmo, quem sabe se não peço um pouco de chuva para poder chorar lá fora, sem ninguém se aperceber!

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

A culpa é minha...

Enquanto caminhava sozinha nos vales de memórias, durante o sono profundo no qual tão poucas vezes me deixo cair, vi os teus olhos afastarem-se pouco a pouco, até desaparecerem nos limites do oceano azul e brilhante.
Pensei em correr atrás de ti mas, subitamente, já não tinha sentido fazê-lo. Fui a culpada do que aconteceu, sinto-me como se a culpa fosse completa e irremediavelmente minha.
Fiquei com medo de dormir, com medo dos pesadelos nos quais eu era sempre quem destruía tudo. Habituei-me a sentir a culpa consumir a energia do meu corpo, habituei-me a olhar o céu e a ver nele os teus olhos , a olharem para mim triste e desaprovadoramente.
Sabes que a culpa é minha, é o que posso concluir. Nunca destruíste a minha vida ou os meus sonhos, fui sempre eu, na minha inocência que segui acreditando ser melhor do que sou, ser mais calma e infinitamente menos culpada do que me descobri.
Sou culpada por ter feito as coisas da minha maneira, sou culpada por ser eu mesma mesmo quando as vozes de todos os espectros que me rodeiam gritam ao vento que eu não devia ser assim. Ninguém quer saber, sou invisível para todos mas ainda assim perdem tempo a arruinar o pouco que ainda sou com gritos e palavras ruins.
Mas eu não ouço, tapo os ouvidos e fujo a correr, afastando-me o mais que as pernas conseguem e o corpo aguenta. Quando por fim o cansaço vence, caio de joelhos e forço as orações das quais nem me recordo, a sair por entre os lábios na forma de som.
Sei que ninguém me está a ouvir! Tenho tão nitidamente essa certeza que até troço de mim mesma por tentar acreditar que existe alguém superior, a ouvir as preces de quem chora por ter medo e por estar triste. Mesmo que existisse, quem sou eu para ser ouvida?
A culpa é toda minha e estou a pagar por essa culpa, estou a pagar por ter agido de acordo com o meu coração e estou a pagar por me ter recusado a ser a actriz que sorri nas horas tristes.
Escolhi ser eu mesma, com todos os meus defeitos e com todas as minhas qualidades. Hoje sei que vivo no Inferno. Tudo se está a desmoronar à minha frente, a cair aos meus pés, a ameaçar a minha resistência.
É nestes momentos de sentida culpa que quero ir embora e, deixar para trás apenas a atormentadora certeza de que um dia, talvez daqui a muito tempo, alguém vai erguer os olhos e perguntar: «Não falta aqui qualquer coisa?»
E nesse dia, mais uma vez, irão dizer que a culpa foi toda minha!

Marina Ferraz

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Parede Branca

Um dia estava perdida. Não sabia o que escrever porque, subitamente, as palavras não faziam qualquer sentido.
Via-me passar pelo mundo sem receber nada dele, perdida na minha dor e foi então que, sem eu estar à espera, alguém disse as palavras que me acordaram do sono em que estava a viver.
De repente o céu ficou mais azul e o sol surgiu por entre as nuvens espessas do Inverno da minha alma e um fio de luz passou pelo meu coração, lembrando a minha mente de que um dia, não há muito tempo, eu tinha sido alguém com valor.
Nesse tempo eu acreditava em sonhos e em fantasia, eu tinha lutado pelas adoráveis utopias criadas nos dias da infância, eu tinha escrito em papel tudo o que sentia e tinha visto para além do horizonte.
Essa rapariga, no entanto, estava agora taciturna e ausente, com medo de sofrer a mais demolidora das dores e, mesmo não o desejando, estava a morrer por dentro nos abismos da saudade. Eu estava diferente e estava a destruir tudo o que um dia gostei em mim.
Mas essa pessoa abriu-me os olhos porque, pura e simplesmente, nunca tinha esquecido as palavras nem os momentos vividos e tinha recordado sempre as diferenças que existiam numa parede branca. Sabia como eu antes conseguira nela reflectir todas as cores do arco-íris e como nela pudera projectar todos os sonhos.
Então, chamei a mim toda a força que tinha restado do meu tempo de sonhos e resolvi que não queria ser diferente. Pois quem seria eu se não escrevesse o que sinto? Podia continuar com o mesmo rosto e com o mesmo nome mas, o importante, não estaria comigo. Por isso, hoje agradeço as palavras e acrescento, com toda a humildade, que uma simples parede branca, para mim nunca será algo de banal!

Marina Ferraz

domingo, 30 de julho de 2006

Critica ao Ensino em Portugal, por Marina Ferraz. Versão do DC.

A educação no nosso país é um tema constantemente criticado. Muitos falam das reformas sucessivas que trazem para Portugal apenas os modelos que, em outros países, já provaram não ser eficazes. Alguns comentam a falta de qualidade do ensino culpando quer os professores quer os alunos, sendo passado a ambos um atestado de incompetência pouco real.
O grave das criticas tecidas ao sistema de ensino português comete, na verdade, o mesmo erro do próprio governo: uma total ausência e ignorância da realidade das nossas escolas, da formação dos professores e das condições de trabalho.
Por isso hoje sou eu que comento e que crítico, porque sou uma adolescente normal, numa época conturbada, a sentir na pele cada erro cometido por quem não sabe o que é melhor.
A realidade que vivem os alunos e os professores é bem diferente daquela que os ministros, fechados nos seus gabinetes, conseguem abarcar. É por isso que tanto nos queixamos do governo! Como podem eles governar o povo se não conhecem o povo? Como podem eles resolver os problemas se a única coisa que sabem sobre eles é o eufemismo de quem não sabe o que é vivê-los desesperadamente?
Dentro das escolas a realidade é bem diferente da conhecida! Por trás dos sorrisos normalmente presentes no rosto de quem passa, existe um mar de tristeza de quem sabe que ser bom já não chega, existe a amargura de quem não seguiu o que queria por falta de saídas profissionais e que agora se vê numa situação complicada que obriga, muitas vezes, a desistir de lutar por um futuro estável.
Não é fácil estar lá, sentir essa tristeza, sentir essa angústia que também eu já tantas vezes senti, e saber que não temos poder para mudar as coisas e que, quem o tem, não pode ou não quer fazer nada porque não sente o mesmo, porque não está perto o suficiente para imaginar sequer o que se sente quando não “acontece só aos outros”.
Eu sou um bom exemplo dos problemas que referi! Tendo uma vocação nata para as letras, para as humanidades, para a literatura, vi-me de repente num curso científico-tecnológico por medo de me tornar mais um dos muitos professores a trabalhar em caixas de supermercado. E hoje, graças a esta escolha que apesar de tudo considero absolutamente lógica, vejo-me com uma média apenas razoável que não chega para atingir os objectivos que criei.
Nunca serei professora, por muito que ache que o faria bem, porque a razão criada pelo sistema não estava de acordo com os sonhos que tinha no mais profundo do meu ser.
Há também, neste sistema, o que pode ser considerado o “reverso da medalha”, ou seja, alunos que atingem notas geniais e que, apenas por isso, optam por seguir Medicina e outros cursos de média elevada, onde poderão obter maiores salários, quando não é nessa área que se encontra a sua vocação.
A nossa sociedade futura, por isso, vai ser uma estranha junção de médicos incompetentes com média de dezanove ou vinte e de pessoas que nascem para a área da saúde e que terão de se contentar com um trabalho medíocre numa caixa de supermercado ou numa loja de roupa. De professores que nunca serão colocados e de gente que desiste dos sonhos e que nunca se irá realizar profissionalmente.
A culpa não é dos professores que, diga-se em abono da verdade, trabalham continua e desgastantemente. A culpa não é dos alunos, porque, mesmo os que desistem, têm bons motivos para o fazer. A culpa é daqueles que se esquecem que os erros, aparentemente tão insignificantes, são sentidos na pele de muitos e correm como um rio de lágrimas que arrasta consigo os sonhos e que transporta cada um de nós para uma tristeza que, infelizmente, é demasiado real.

Marina Ferraz
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Esta foi a primeira critica que publiquei num jornal. Saiu este mês no Diário de Coimbra e, ainda que sem motivo, dado que não foi algo assim tão importante, senti um orgulho especial...
=)
Espero que gostem...

terça-feira, 20 de junho de 2006

Perdida em lágrimas

Se a minha vida fosse um filme, haveria alturas em que o pararia por momentos, pensando em como voltar atrás, para ver aquela cena que mexeu comigo! Agarraria no comando, voltava atrás e parava aí, sem ter passado e sem ter futuro. Parava para toda a eternidade!
Não passava noites como a de hoje, a acordar depois de sonhos terríveis que me deixam com medo de voltar a dormir nem passaria dias como os que seguem esses sonhos.
Se os sonhos ao dormir são maus, quando acordo sinto que perdi tudo nos sonhos e que a vida se enquadra melhor na definição de "pesadelo".
Para mim o presente deixou de ter sentido. Foi como se em mim surgissem novas metas: metas inatingiveis e inabaláveis. Com todas as suas impossibilidades e indiferenças.
A minha vida, no entanto, não volta atrás como um filme e vai avançando por todos os tipos cinematográficos conhecidos. Romance, terror, comédia e agora, infelizmente, drama!
Não sei o que fazer! Estou irremediavelmente perdida em mundos de indiferença. Choro mas quem me vê pensa que sorrio, (será o mau de se ser boa actriz?)
Este ano, portanto, ao soprar as velas, vou apenas desejar poder voltar atrás, ter de novo a alegria da infância e nunca passar essa fase.
talvez seja isso o melhor em todo este fel trazido pelo tempo.

Marina Ferraz

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Poesia da vida























O mundo cai na sua estúpida e utópica perfeição, enquanto nós, meros fantoches, somos guiados para um palco e humilhados sob o olhar curioso de gente que apenas sabe como nos magoar. Não há quem mande flores, quem bata palmas, apenas quem nos humilhe, quem nos atraiçoe e quem, mesmo sem saber, nos vira as costas quando precisamos de um abraço.
Por vezes ficamos á espera que nos tragam flores em vez de plantarmos um jardim, ficamos à espera de um sorriso em vez de dizer algo que faça os outros sorrir e depois sofremos porque ninguém faz nada por nós.
Nada nos é fiel neste mundo! Nem mesmo as folhas brancas nas quais escrevo a minha poesia. Na verdade, essas vão-me matando aos poucos, vão-me roubando a alma, vão deixando a minha dor impressa como se o que sinto se pudesse ler.
Eu sei que não podem... as palavras não podem explicar a dor, as pessoas não podem entender os corações alheios e, acima de tudo as não podem entender os corações lendo essas palavras que nada explicam.
Eu não me sinto como um mero fantoche do mundo, sou também escrava das palavras e da poesia, sou escrava deste estúpido defeito que me leva a escrever o que sinto em vez de me deixar ser triste sozinha, longe de tudo o que é mau.
A poesia não me ajuda, ao contrário do que todos pensam, deita-me abaixo, lembra-me o que perdi, do que desisti e prova-me que, bem no fundo, preferia que a vida fosse mais matemática do que literária.
Na matemática tudo é fácil porque tudo é certo. Tudo tem uma solução e, quase sempre, apenas uma, sem necessidade de escolher através deste nosso céptico coração que escolheu, há muito tempo, apenas acreditar que não se pode acreditar em nada.
Mas, para mim, a vida é poesia e a poesia, tal como o fado, traz mensagens tristes, taciturnas, melancólicas, que os corações mais maduros e mais saudáveis não podem descortinar.
Basta-me pois esconder nos números aquilo que não posso explicar com palavras, esperando e desejando, que a vida seja como uma soma em que os medos e a tristeza não podem entrar e sorrir á vida mesmo quando esta não me sorrir.
Pois, tal como sempre ouvi dizer: "Os mais fortes são aqueles que plantam o seu jardim, ao invés de esperar que alguém lhes traga flores" e a poesia, sendo o meu mundo e o meu castigo, será para sempre, sem sombra de duvida, o jardim que tenho de plantar...

Marina Ferraz

*Imagem retirada da Internet

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Eu tentei...





















 Eu tentei!
Com todas as forças que me restavam, lutei até ao fim, mesmo sem saber se o devia fazer ou se o fazia apenas para me sentir bem comigo mesma.
Agora também já não importa saber o porquê porque, a verdade, é que eu tentei, lutei e no fim, infelizmente tarde demais, compreendi que não se pode escolher quem se ama.
Tentei tudo! Juro pelos céus que tentei... tentei escrever e acabei a pensar em ti e a escrever sobre ti!
Tentei ouvir musicas e as lágrimas escorreram dos meus olhos ao saber que aquelas letras falavam de algo que nunca ia viver, porque estás longe.
Tentei ver televisão mas os romances baratos de cinema lembraram-me do que sinto.
Onde quer que fosse, o que quer que fizesse, eras tu, estavas ali, como que a presseguir-me, como que a chamar-me, só que de repente, eu entendi... tu não estavas realmente, era o meu coração a pregar-me partidas, a minha mente a divagar e era tempo de te esquecer.
Resta-me agora saber como o faço! Estás tão perto e tão distante. Perto demais para te esquecer mas distante demais para te ter. E agora não sei de nada!
Tentei tudo para não pensar em ti, para fingir que não estavas no meu coração, que não eras importante e, o que acabei por descobrir foi que estás comigo e que não posso fugir do sentimento, que não posso impedir-me de amar por mais que queira impedir-me de amar...
Eu tentei! Mas, tal como sempre, descobri os meus limites: sou fraca demais para te arrancar da minha vida, para te tirar dos meus sonhos, para te impedir de morares no meu coração. E já deixou de me importar o que sentes, porque tudo o que eu quero é esta certeza de que tentei, lutei, perdi mas que ficou comigo o AMOR!

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Sonhos proibidos






















Hoje não sou ninguém!
Morri para o mundo enquanto sonhava sonhos proibidos.
Foi tão simples, tão estranho, um sonho apenas! Tu chegaste e deste-me a mão, disseste o quanto gostavas de mim e caminhamos mão na mão junto àquele mar que na sua fúria acalmou a minha e então, passeando naquela praia, ouvindo o murmúrio do vento na sua canção triste de lamuria, pareceu-me ouvir um aviso como se alguém, no imenso céu carregado de nuvens escuras me avisasse que algo ali não estava bem. Olhei para ti e sorri-te mas não me devolveste o sorriso e então, a medo, olhei para trás e vi: marcadas na areia estavam as minhas pegadas mas não as tuas e, quando te voltei a olhar, desejando ardentemente que ali estivesses, também não estavas, tinha sido ilusão...
A chuva começou a cair como que para me esconder as lágrimas e eu chorei, sem vergonha de chorar, sem medo de alguém ver, tudo porque tu não estavas e eu queria que estivesses, queria sentir a tua mão na minha.
Aos poucos, também as minhas pegadas foram sendo apagadas pelo mar e eu morri por dentro. Por isso hoje digo que morri, que não sou nada, ninguém, uma leve brisa que não sopra, um poema por escrever porque sem ti estou incompleta, porque sem ti não sei ser eu mesma, porque sem ti não sei qual o sentido da vida...

Marina Ferraz
*Imagem retirada da Internet

E se...

E se eu me levantasse de manhã e em vez de vestir o já habitual sorriso triste optasse por uma lágrima, olhasse para fora da janela, imaginasse que ali estavas com um ramo de rosas brancas na mão e um olhar diferente do que conheço, a olhar para mim como se eu fosse importante?
E se eu parasse de me lamuriar porque tu nem notas que existo e começasse a lutar por ti, com toda a força que tenho e que invento naqueles sonhos nos quais tu acabas ao meu lado?
E se eu acreditasse que não é errado sentir este bater forte no coração e o deixasse bater, no seu ritmo quase frenético cada vez que te olho.
Estaria errado?
Alguém me diga, eu não sei!


Marina Ferraz

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Quem sabe...

Quem sabe se lutar por amor vale a pena, se o ténue fio de fumo da vida não se torna ainda mais fino por cada "não" ouvido. Quem sabe se as palavras são o fogo da lareira ou se são antes a lenha que se consome, não deixando nada, além da cinza das recordações.
Quem sabe? Quem sabe se tu não me dedicas um olhar, um pensamento, um coração...
Não há no mundo certezas mas eu, eu não posso saber porque sou invisível! Ninguém quer saber e, quem quer, não vê nos meus olhos a tristeza que guardei depois de tudo o que vivi.
Quem sabe se eu estou certa, se eu estou errada, se devo seguir ou desistir de viver?
A resposta é muda... ninguém sabe! Quem sabe não diz e eu fico assim, com um medo terrível de olhar para o lado e viver dos fantasmas do meu passado em vez de viver das dádivas do presente.
Quem sabe quem sou eu?
Quem sabe quem eu amo?
Quem sabe se eu passo de uma menina em busca de respostas?
Eu não sei e por isso desisto de procurar aquele sabor doce de um beijo na escuridão. Aquele sentimento que um dia conheci e que hoje conheço em sonhos
Quem sabe se vale a pena?


Marina Ferraz